Nada de novo (para lá da raia)?

Publicado em L&LP, AP e CL
um blogue desalinhado






Faço minhas as palavras de Rui A. na sua referência ao "churrasco" que está em vias de torrar de vez o C.D.S. Esta oposição pouco leal a um líder legítimo por gente com quem eu até simpatizava, mas que não soube manifestar vontade e organizar-se no último congresso, é um espectáculo lamentável (e de tirar as últimas ilusões a espectadores ainda interessados, como eu).Etiquetas: Almanaque



Pouco se tem discutido o Março de 2006, em Paris. O André Belo escreveu, na capital francesa, uma crónica que se pode ler aqui. Aguardo mais posts do André sobre o assunto. Há um nome que ainda não vi aplicado à proposta do «Contrato de Primeiro Emprego» de Dominique de Villepin: racismo. Nesta caso, trata-se de racismo etário: os menores de 26 anos poderiam ser despedidos sem qualquer justificação. Eventualmente por patrões que, durante o Maio de 68, andaram a apedrejar a polícia. Se decidirem despedir, sem causa assinalada, será o Estado francês a pagar a indemnização aos trabalhadores, com o dinheiro arrecadado aos contribuintes. Estamos de novo perante o esboço de uma utopia: o capitalismo inimputável.
O Público de hoje trazia como manchete: «Sul-africanos da Telekom envolvidos/no contra-ataque à OPA sobre a PT». No sóbrio artigo da página 34 fiquei a saber que o objectivo dos sul-africanos da TSA era obter uma posição relevante mas não dominante na empresa. Tanto o jornal como os telejornais que vi acentuavam, no entanto, a componente estrangeira de uma eventual manobra de contra-ataque à OPA da Sonae.

Etiquetas: Almanaque
Sobre o discurso de Cavaco Silva não há muito a escrever e Constança Cunha e Sá já o escreveu aqui. Num ponto estou de acordo com Luís Aguiar Santos: socialismo democrático e social-democracia são duas expressões para a mesma ideia. E Cavaco Silva é um social-democrata. O que o distingue dos socialistas é mais a forma do que o conteúdo. Ou o muito português «diz-me com quem andas dir-te-ei quem és». Se Cavaco se afasta da social-democracia é por pragmatismo, não por convicções ideológicas de direita. A mesma atitude tem Sócrates em relação ao socialismo. Ambos fizeram as mesmas promessas e farão tudo para atingir os mesmos objectivos. O problema é se os objectivos de aumentar a competitividade e baixar o desemprego não forem atingidos. Nesse caso, a tentação de cada um acusar o outro de «força de bloqueio» será muito forte.
O ponteiro dos minutos parece avançar muito depressa entre as oito e as nove da manhã. Olho com inquietação qualquer ajuntamento de carros. Temos engarrafamento? Não, nem por isso. Estou quase a chegar. Suspiro de alívio. Cá estou, por fim, na rua. Um polícia impede-me a passagem. Obriga-me a um desvio. Estaciono o carro a umas boas centenas de metros do meu destino. Volto à rua, a pé. Observo um carro parado no meio do asfalto. O condutor discute com dois polícias. Subo a rua. Observo a fila de automóveis com bandeirinhas de países. Do céu, chega-me o ruído compassado de um helicóptero.Tive pena pelo Liverpool, a sério, mesmo. Afinal como convidado no Reino Unido devo mostrar uma certa contenção, bom senso, nada de licenciosidades. (Ou será o contrário?)
Fica sempre bem dar uma prova de que os atavismos político, clubísticos e nacionais não funcionam em pessoas civilizadas.
Só foi pena não estarem de vermelho.
E não terem marcado mais um.