domingo, março 12, 2006

Obituário: Milosevic


Milosevic morreu. Foi pena, pois merecia passar uma longa vida na cadeia. Como não tenho tempo para mais, ficam aqui três à escolha.

O magnífico livro da magnífica série de Alan Little e Laura Silber, The Death of Yugoslavia. O obituário da Jugoslávia é o obitário perfeito de Milosevic o nacionalista sérvio que recusou qualquer possibilidade de compromisso e matou o país (com ajudas claro, mas ninguém lhe pode tirar o papel principal).

A biografia do populista e do seu massacrado povo por um sérvio: Vidosav Stevanoci, Milosevic: The People's Tyrant. Ou a tragédia de um país nas mãos de uma demagogo nacionalista que usa o medo para se manter no poder.

E para terminar um obituário do crimes de guerra sérvios para quem tem dúvidas sobre o que se passou na guerra de Jugoslávia foi algo deliberado, ou pense que eram todos iguais, de um autor que era especialista no exército jugoslavo antes da carnificina começar: James Gow, The Serbian Project and Its Adversaries: A Strategy of War Crimes (Gow é meu segundo orientador de doutoramento; para os mais desconfiados fica o esclarecimento: ele fala servo-croata, mas não fala português). Qualquer tentativa de desculpar Milosevic com as dificuldades da comunidade internacional em lidar com a crise na Jugoslávia é como culpar igualmente o incendiário e os bombeiros pelo resultado de um fogo-posto.

PS - Quanto aos que se preocupam com justiça de vencedores. A justiça dos vencedores que coube em sorte de Milosevic foi melhorzinha do que o tipo de justiça de vencedores reservada pelos exército sérvio aos croatos feridos sumariamente executados no hospital depois da queda de Vukovar, ou pelas milícias sérvias aos muçulmanos depois da tomada de Srebrenica. Qual é que é alternativa? A impunidade? Levar os vencidos cativos para exibir numa jaula na capital do vencedor e execução a seguir (à romana)? É que se se tem de mudar que seja para algo melhor.
[foto : os resultados da justiça dos vencedores sérvios em Srebrenica]

1 Comments:

Blogger Mais Notas Soltas disse...

PAsse a ironia de nós, europeus, mais os americanos, termos combatido um povo cristão, que defende, há séculos, as fronteiras da Europa contra a invasão muçulmana.

7:22 da tarde  

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