terça-feira, dezembro 23, 2008

Livros/DVDs para o povo...


... em forma de prenda de Natal de último minuto este belo livro ou dvd sobre a história do protestantismo.


Um Santo Natal a todos.

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terça-feira, novembro 11, 2008

O Fim da Guerra

A Primeira Grande Guerra terminou faz hoje noventa anos, como foi oportunamente lembrado aqui, e como cerimónias oficiais em países por todo o mundo nos forçam a recordar.

É estranho que em Portugal isso não aconteça. Ou melhor, não é.

Esta foi uma guerra mais impopular em Portugal do que na maior parte do resto da Europa (e desde o início). Uma guerra imposta pelos republicanos radicais. Uma guerra forçada contra o parecer de um exército que se sentia (com razão) ainda menos preparada para ela do que as forças dos demais beligerantes.

Sobretudo, Portugal não tem de todo a tradição de lembrar os seus mortos em combate. Isso sim é muito estranho. E triste.

Para quem quiser aprofundar o tema da Guerra de 14-18, ma non troppo, há esta bela síntese de um dos melhores historiadores e estrategistas ingleses (e há ainda esta, mais curta, de Norman Stone no Guardian). Para a participação de Portugal há o estudo do actual ministro da defesa: O Poder e a Guerra.

Infelizmente também não foi o fim da guerra, como tantos milhões esperaram. A paz é uma invenção bem mais complicada do que a guerra.

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sábado, novembro 01, 2008

Livros para o Povo: Golpes de Estado Encore

Faltam livros sobre o tema dos golpes - de evidente utilidade para o povo - mesmo no sempre famoso «lá fora». Depois dos textos clássicos de Luttwak e Finer, reveleram-se bem mais populares os temas (aparentados, mas não a mesma coisa) das revoluções (primeiro) e das transições de regime (depois). Há bons exemplos recentes, mas de obras mais amplas sobre relações entre civis e militares.
O tema, aliás, ganhou uma actualidade inesperada em Portugal. Algumas mentes mais dadas a teorias de conspiração até tomariam as inesperadas declarações do General Loureiro dos Santos que implicitamente apontam para um risco de golpada ou algo parecido como material promocional ao recente livro de Luís Salgado Matos sobre como os evitar, já aqui referido (e apresentado inter alia também pelo referido general).
O livro vale pela costumeira originalidade dos trabalhos do autor. Mas neste momento importa sublinhar a sua conclusão principal: Portugal goza de um regime semi-presidencial, o qual, segundo Luís Salgado Matos (a par dos regimes presidenciais), é bom remédio contra a maleita dos golpes de Estado.
De qualquer forma, e para evitar mais sobressaltos ao leitor amigo, sempre diria que confio bastante mais do que o General Loureiro dos Santos no bom-senso dos jovens oficiais portugueses. Estou certo de que a esmagadora maioria (se não a totalidade) saberá respeitar a especifidade da condição militar, nomeadamente na leal subordinação ao poder legitimamente constituído.
Esses jovens oficiais são parte, é certo, de uma geração a quem são pedidos mais sacrifícios e incertezas no campo material do que era costume a pessoas da sua classe e educação (embora, verdade seja dita, menos a eles do que à grande maioria dos seus contemporânenos civis).
Mas também são parte de uma geração especialmente bem preparada em termos de estudos aqui e lá fora. Não que isso valha de muito, por regra. Porém, servirá pelo menos para saberem - bem lidos nestes estudos das relações civis militares - que nunca houve um golpe bem sucedido, nunca os militares tomaram o poder, ou se pronunciaram por uma mudança de política com sucesso, apenas por razões corporativas. Tem de haver um crise bem mais generalizada e extremada da sociedade e do Estado.
Em suma, é um bocadinho difícil fazer um golpe com base na mensagem de que a tropa está disposta a morrer pela pátria, mas não está disposta a sacrificar pela pátria uns quantos hospitais (aliás desnecessários para morrer pela dita) e regalias materiais. Eu sou dos que acham que as Forças Armadas (e até eventualmente alguns dos seus hospitais devidamente justificados) são vitais para qualquer emergência. Mas numa crise não podem ser só os civis a pagar a factura. Sobretudo quando muitos desses civis a quem são pedidos sacrifícios hoje em Portugal até são veteranos de guerra.

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segunda-feira, outubro 13, 2008

Krugmania

Sempre fui um fã do novo nobel da economia: Paul Krugman, ao vivo (em conferências várias) ou em diferido (via New York Times). O debate sobre o seu peso científico é ponto a que o Miguel Morgado e o Manuel Pinheiro já aludiram com mais propriedade do que eu. Mas ainda direi mais...

Vale a pena, em tempos que se advinham de perigosa reacção proteccionista, recomendar ao bom povo o seu clássico Pop Internationalism; Return of Depression Economics ou Accidental Theorist. Ensaios de vulgarização que provavelmente quase lhe custaram o respeitável Nobel.




Não respondem a tudo. Não pretendem responder a tudo. Uma das preocupações fundamentais de Krugman tem sido precisamente mostrar o perigo das ideologias rígidas no campo económico: "The history of economic doctrines teaches us that the influence of an idea may have nothing to do with its quality - that an ideology can attract a devoted following, even come to control the corridors of power, without a shred of logic or evidence in its favor."



Sobretudo o que Krugman mostra é que é possível escrever de forma interessante, clara e divertida sobre a economia internacional. Ele também deixa claro que as notícias sobre a morte intelectual de Keynes foram fortemente exageradas. Portanto vale a pena comprar os livrinhos antes que os preços comecem a inflaccionar.

Miguel Morgado, Manuel Pinheiro e muitos outros - facto a que o próprio Krugman aludiu - ficaram chocados e surpreendidos com o vigor das suas críticas a George W. Bush e companhia. Afinal Krugman tinha fama de moderado.

No entanto, Krugman é um moderado por gosto pelo rigor e pelo bom-senso. Foi em nome desse rigor e desse bom-senso que ele denunciou frequentemente as políticas desastradas e desastrosas de Bush Junior sem se preocupar que subitamente o considerassem um radical. Em suma, um perfeito exemplo do vital center tão necessário em tempos de crise como estes.

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quarta-feira, junho 11, 2008

Livros para o Povo: Desigualdade

Há muito que me apetecia saudar o empenho do Henrique Raposo em ir publicando sobre livros no Atlântico. Tentarei ir correspondendo, certamente em ritmo mais lento, mas em duplicado.

Aqui fica um pequeno contributo para uma questão da actualidade. Anthony Giddens, o mentor de Blair, é responsável por este The New Egalitarianism que resultou de uma série de seminário na Policy Network.

Parece que há gente de esquerda em Portugal tão preocupada com a desigualdade que até organiza festas para resolver a questão. É um problema muito complicado, e lamento mas não creio que só com comícios e festas (embora estas aliviem qualquer coisa) se vá lá.

Apesar de tudo há que não cair no pessimismo. Apesar de tudo parece que (afinal, e lendo com atenção!) mesmo a complexa desigualdade relativa está a decrescer em Portugal. É uma flagrante evidência que em termos de pobreza absoluta - apesar de tudo a questão mais importante - Portugal está incomparavelmente melhor do que há trinta anos atrás.

A Terceira Via, de Blair e Companhia, tem-se empenhado imenso nesta questão ao nível da análise e formulação de políticas: avançando novas propostas, corrigindo práticas. Fico a aguardar semelhantes contribuições da extrema-esquerda nacional e respectivos compagnons. Embora, para ser justo, haja que notar a falta reflexão de fundo sobre políticas públicas em todos os partidos portugueses.

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