O Dalai Lama em Lisboa
Só uma personalidade rara como o décimo quarto Dalai Lama pode estabelecer uma ponte entre uma cultura tão exótica e remota como a do budismo tibetano e a cultura global em que vivemos. Ler o LivroTibetanos dos Mortos e Ética para o Novo Milénio permite compreender esse trajecto fascinante. Escrevi sobre o Dalai Lama e o seu projecto ético logo no início deste blogue, aqui.É paradoxal que o 11 de Setembro e a luta contra o terrorismo sejam invocados para negar uma recepção oficial ao Dalai Lama pelos máximos responsáveis políticos portugueses. O Dalai Lama é um exemplo de resistência não-violenta a um Estado opressor; de conciliação entre a fidelidade a uma tradição religiosa muito particular e de defesa de valores universalizáveis; de empenho na libertação do medo e do ódio, as sementes do terror. Arnold Schwarzenneger recebeu-o como Governador da Califórnia e Sócrates recusa-se a recebê-lo como primeiro-ministro de um Governo Socialista. O antigo «exterminador» pode olhar de cima este país de «brandos costumes».
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