quinta-feira, setembro 13, 2007

Boa onda


A capacidade do Dalai Lama de criar relações harmoniosas entre pessoas e partidos antagónicos é espantosa. Ainda ontem Tenzin Gyatso chegou a Lisboa e Jerónimo de Sousa começou logo a falar nos problemas políticos do Tibete e nas razões para negar uma recepção oficial ao Dalai Lama, num tom repleto de «boas vibrações» para com o Governo, anteriormente classificado pelo PCP como o «mais à direita em Portugal desde o 25 de Abril».

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O Dalai Lama e a situação no Tibete


As declarações do Dalai Lama ontem, no dia de chegada a Lisboa, podiam ser uma resposta ao longuíssimo comentário que um anónimo me fez ao post anterior. Começava por perguntar a quem interessava a divisão da China e desenvolvia uma longa dissertação sobre a História do Tibete sublinhando as relações sociais arcaicas e opressivas da sociedade tibetana antes de 1950.
Tenzin Gyatso reafirmou que não pretende a independência, mas uma verdadeira autonomia do Tibete. Alguns números a contrapor: em Lhasa dois terços dos habitantes são chineses - «Os tibetanos tornam-se minoria na nossa própria terra; na sua vida diária, a minoria tibetana tem de falar chinês.» Outra das suas críticas vai para a política económica chinesa que delapida os recursos naturais do Tibete.
Quanto à ao modelo sócio-económico vigente no Tibete até meados do século XX, nunca foi defendido pelo Dalai Lama o qual, pelo contrário, disse: «Há tibetanos na sala e com certeza concordam quando digo que [ninguém] quer voltar ao Tibete antigo.» Devolvo ao comentador anónimo o cumprimento sobre a necessidade das pessoas se informarem acerca do que escrevem.

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