quinta-feira, setembro 13, 2007

O Dalai Lama e a situação no Tibete


As declarações do Dalai Lama ontem, no dia de chegada a Lisboa, podiam ser uma resposta ao longuíssimo comentário que um anónimo me fez ao post anterior. Começava por perguntar a quem interessava a divisão da China e desenvolvia uma longa dissertação sobre a História do Tibete sublinhando as relações sociais arcaicas e opressivas da sociedade tibetana antes de 1950.
Tenzin Gyatso reafirmou que não pretende a independência, mas uma verdadeira autonomia do Tibete. Alguns números a contrapor: em Lhasa dois terços dos habitantes são chineses - «Os tibetanos tornam-se minoria na nossa própria terra; na sua vida diária, a minoria tibetana tem de falar chinês.» Outra das suas críticas vai para a política económica chinesa que delapida os recursos naturais do Tibete.
Quanto à ao modelo sócio-económico vigente no Tibete até meados do século XX, nunca foi defendido pelo Dalai Lama o qual, pelo contrário, disse: «Há tibetanos na sala e com certeza concordam quando digo que [ninguém] quer voltar ao Tibete antigo.» Devolvo ao comentador anónimo o cumprimento sobre a necessidade das pessoas se informarem acerca do que escrevem.

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5 Comments:

Blogger CLeone disse...

Olá João
Sem tomar as dores do anónimo (um funcionário da embaixada da RPC?), só uma observação sobre o post anterior: o governador da Califórnia não representa os EUA no estrangeiro, ao contrário do governo português. E mesmo o Presidente dos EUA, que não sei se alguma vez recebeu o Dalai Lama, tem meios para defender os interesses permanents do estado americano que POrtugal nunca terá. Vale para o Tibete como para Taiwan. Isto é só uma nota, não acho sequer que se Sócrates tivesse recebido o DL em vez do Geldof os chineses se incomodassem demasiado, mesmo sendo Portugal actualmente a «presidir» à UE. Mas receber o DL em vez do Geldof talvez fosse pouco sentido, o que seria partcuarmente errado no caso...A recepção pelo Presidente da AR cumpriu bem a função, já de si nada de transcendente.

8:28 da manhã  
Anonymous Luis disse...

Claro que o décimo quarto Dalai Lama é especialista em virar o bico ao prego quando lhe convém. Ele foi não apenas membro da Assembleia popular da China como um dos Vice-presidentes do seu Comité Permanente e até o deputado responsável pela elaboração do Estatuto de Autonomia do Tibete. Mas quando se tratou de levar à prática a libertação do povo do regime feudalista, a separação da igreja do Estado e de pôr fim aos latifúndios e ao regime de escravatura, “emigrou”, deu luz verde à constituição de uma organização política e de um exército que lançou ataques terroristas e provocou uma guerra civil. Claro que sabendo agora que tais métodos já não resultariam por lá retoma o paleio da autonomia que antes ele próprio abandonara a favor do separatismo puro e duro. Claro que em todo o mundo todas as regiões autónomas querem melhorar a sua autonomia, (na China há cinco regiões autónomas), mas as coisas melhoram-se estando lá, lutando lá e não andando pelo mundo como nabado como continua a andar o décimo quarto Dalai Lama.

4:29 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida disse...

Caro Leone,

Nao é facil seguir o debate na blogosfera portuguesa a partir de Roma, onde cheguei na sexta-feira, e com os minutos a contar...
O Schwarzenneger entra no post pela porta da retorica, ainda que a costa da california no Pacifico o pudesse tornar mais sensivel a eventuais pressoes chinesas. As relacoes internacionais actuais nao se reduzem as relacoes entre Estados, embora estas sejam de importancia superior.
Nao subestimo a evolucao em relacao a seis anos atras e nao compreendo a indignacao de alguns comentadores de direita em relacao a Socrates que ignoram a posicao de Cavaco Silva. Eu espero é mais de Socrates, neste tipo de questoes, do que de Cavaco.
Enfim, nao percebo a que proposito é que se invocou o combate ao terrorismo se o Dalai Lama é um adepto da nao-violencia e creio que era possivel ter ido mais longe na recepcao ao Dalai Lama.

Caro Luis ha detto,

As suas certezas deixam-me uma duvida: o PCP é contra o imperialismo ou so contra o imperialismo sem cor vermelha? Se a Indonesia fosse um Estado comunista o PCP questionaria o tipo de integracao timorense no Estado indonesio?

3:18 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida disse...

Recapitulando e precisando, em relacao a primeira visita do Dalai Lama:
- a atitude parlamentar progrediu;
- a atitude presidencial retrocedeu - e o Presidente da Republica é o representante do Estado e da nacao portuguesa;
- as declaracoes do Ministro dos Negocios Estrangeiros foram infelizes.

1:41 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Então da autonomia que o Dalai Lama pretende para o Tibete faria parte o poder de impedir os chineses de emigrarem para o Tibete???

Que diabo, as pessoas devem ser livres de irem viver para onde bem lhes apeteça.

É que nem o Alberto João da Madeira, o mais autonomista dos autonomistas, reivindica o direito de impedir "cubanos" de irem viver para o jardim.

Luís Lavoura

10:18 da manhã  

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