quinta-feira, março 13, 2008

Bloguemos criticamente um pouco mais


É bem sinal da pouca disponibilidade para este blogue ter pensado que o meu poste anterior tinha sido publicado há tempos, e afinal ficou (paciente e silenciosamente) esperando melhores dias. Prometo aplicar-me mais (para mal dos vossos pecados), embora mais sinteticamente (espero e devo).

Há tempos, Pedro Mexia (creio) dizia (ou disseram-me que disse) temer, no futuro, pelo domínio da publicação por obras de história e outras várias menos literárias. Eu temo, hoje, o prático desaparecimento da crítica de ensaio e história na imprensa. Ela é de há muito escassa. Hoje é escassíssima, intermitente e frequentemente curta (em vários sentidos).

Este estado moribundo da crítica literária em geral e da escrita não-ficcional nativa em particular é sinal do afogamento das (vagas, admito) tradições de debate de ideias em Portugal.

Talvez a ressuscitação venha por via da internacionalização. Falar em inglês sobre (algumas) coisas lusas será menos bizarro do que parece? Somehow duvido que a moda pegue (e que nos aturem).

Talvez o blogues possam compensar (um pouco, mas quem faz o que pode...) Mesmo telegraficamente parece possível dizer um pouco mais do que aquilo que vai sendo publicado (por norma) na imprensa sobre livros, colóquios, etc.

É por estas e por outras que ler artigos como o do (barão) Skidelsky na Prospect sobre o estado crítico da crítica na imprensa americana (que não na inglesa, note-se, onde as páginas de livros e os sítios virtuais a elas associadas se vão expandindo merrily) nos mostra que afinal nem todos os mortos são iguais.

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Leitura para o Povo Atlântico

Deixei uma leitura para o povo no blogue da Atlântico. Uma vez que se tratava de uma tradução inglesa dos Maias de Eça de Queiroz comentada por um ensaísta norte-americano da London Review of Books pareceu-me o mais adequado.
But I shall return! Em que estado é que não sei...

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quarta-feira, novembro 07, 2007

A Revolução de Outubro foi em Novembro (Leituras para o Povo)

A primeira revolução comunista vitoriosa - ou mais precisamente golpe de Estado - teve lugar faz hoje 90 anos na Rússia, o Estado mais frágil e portanto mais atingido por aquele que foi um dos anos mais terríveis da história da Europa: 1917. Conhecida por Revolução de Outubro - porque o calendário russo, como mais algumas coisas, estava atrasado face ao resto da Europa - teve na verdade lugar a 9 de Novembro. O mais inofensivo de muitos equívocos.

Os resultados foram terríveis, trágicos: a utopia agora, tudo para os trabalhadores e os camponeses já, acabou logo em 1918 na instalação da ditadura. Em Janeiro de 1918 os comunistas dissolveram a Assembleia Constituinte em que o partido livremente mais votado foram os Socialistas de Kerensky (expulso por eles do Palácio de Inverno no tal Outubro vermelho)! Acabou, sobretudo, em 1991, depois de milhões de mortos, no mais completo colapso político e económico.

Dessa história resultaram duas das obras maiores da historiografia contemporânea. De Marc Ferro, o clássico que estabeleceu um novo patamar - La Révolution de 1917. De Orlando Figes, um dos mais bem escritos livros - A People's Tragedy - que conheço da historiografia britânica. O povo tem muito que aprender com estes noventa anos passados.

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sexta-feira, maio 11, 2007

Leituras para o Povo: Luttwak e o Meio de Lado Nenhum


Edward Luttwak mostra que o seu gosto por confrontar as verdades estabelecidas não está abalada pela idade. Afinal, este foi o homem que nos deu um prático Manual do Golpe de Estado e que há anos se manifestou contra as intervenções humanitárias no seu célebre artigo Dêem uma Oportunidade à Guerra. Não são leituras para pessoas impressionáveis, mas são interessante e inovadoramente argumentadas. Agora Luttwak vem lembrar, com o radicalismo habitual, que o Médio Oriente não interessa para nada, é The Middle of Nowhere. Aí afirma, preto no branco, que o Médio Oriente é uma zona perfeitamente marginal nas actuais dinâmicas mundiais.

Não subscrevo a tese. Mas é de ler. Porque é bem verdade que se tem dado demasiada importância a cada espirro ou oscilação de humor dos médio-orientais. E é bem verdade que qualquer regime, por mais radical, que queira sobreviver nesta região, dificilmente poderá deixar de vender o seu petróleo a preço realistas (veja-se Khomeini).

Enfim, com estas "Leituras para o Povo" aqui fica mais uma rubrica para animar o povo. Pois nem só de clássicos vive o homem. Pois os suplementos literários parecem ameaçados de extinção nos jornais portugueses. (E afinal este blogue já nasceu falido.) Espero que arraste multidões.

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