segunda-feira, abril 23, 2007

Bayrou oú?


Final feliz. O radical Le Pen abaixado e, em seu lugar, o centro alevantado com Bayrou. O que é tanto mais difícil de digerir por Le Pen, quanto um francês filho de um imigrante húngaro e com antepassados judeus - Sarkozy - surge, ao mesmo tempo, como a grande figura da direita. Mas a principal questão é saber se, ao contrário de Le Pen ou, entre nós, de Manuel Alegre, Bayrou conseguirá transformar este apoio em algo mais sólido: num crescimento do seu partido. Se fosse assim, mas os precedentes não ajudam, ele teria uma influência decisiva em qualquer futuro governo, ganhasse Sarkozy ou Ségolène. Isso poderia ser bom, daria uma boa razão a qualquer dos dois para moderar os excessos eleitoralistas, sem abandonar algumas ideias reformistas. Seria certamente bom para algo essencial: uma aposta forte em avançar na UE.

E, insisto, quem acha que nada disto interessa a Portugal, ainda não percebeu como funciona a Eurolândia, como os interesses nacionais portugueses estão hoje ligados à evolução do conjunto da Europa, e sobretudo dos seus países mais importantes e que nos são mais próximos.

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sábado, abril 21, 2007

"Portugueses" nas Eleições Francesas


Seria interessante perceber como votam os franceses de origem portuguesa nas eleições presidenciais, em França, amanhã. Será que, como dizem (não sei bem com que base), o farão sobretudo à direita? Será que votarão sobretudo em Sarkozy e até em Le Pen? Será que isso é sinal de uma boa ou má integração? A mim parece-me que, sobretudo um voto em Le Pen, é sinal de má integração. De uma espécie de hiper-francesismo de compensação, vontade de se mostrar ainda mais francês do que os nativos. Ou de um receio de que uma posição que se sente (com ou sem razão) como afinal frágil seja ameaçada por novos imigrantes.
Não custa a crer numa maior vulnerabilidade de muitos franceses de origem portuguesa à violência e à incerteza: os carros que são queimados nos tumultos nos subúrbios não pertencerão propriamente à classe A. Talvez alguns deles acabem por regressar a Portugal (duvido, mas) certamente para alegria dos nossos racistas caseiros.

Veremos no domingo (ou talvez não). Veremos, certamente, se os receios a respeito de um regresso dos mortos de Le Pen se concretizam ou não.
IMAGEM: Cortesia de Rafael Bordalo Pinheiro e do Instituto Camões.

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quinta-feira, abril 19, 2007

Eleição ou Deseleição em França?


No próximo fim-de-semana são as presidenciais em França. Os franceses e as francesas - sempre prontos a revoltarem-se contra um Estado que ao mesmo tempo divinizam e culpam de todos os males (onde é que eu já ouvi isto); provavelmente convencidos de que ninguém é suficientemente bom para mandar neles - preparam-se para escolher o seu próximo chefe de estado. Ou isso, ou então para votar em quem, destes três - Royal, Sarkozy e Bayrou - os irrita menos. Nessa perspectiva Bayrou pode ter hipóteses, se passar à segunda volta. Foi assim que Le Pen foi deseleito e Chirac acabou presidente à falta de melhor.

Mas nem tudo é mau. Pelo menos desta vez Le Pen parece afastado da corrida. Pelo menos a aposta na Europa parece ser uma prioridade para os três candidatos com hipóteses de ser eleitos. Todos se afirmam determinados a desbloquear, seja como for, o processo de reforma da UE que o mal-azado referendo francês paralisou.

O problema poderá ser a abundância de promessas eleitorais inatingíveis, contraditórias, impeditivas de reformas de fundo, possível rastilho duma ainda maior crise económica e contestação social. E quem pense que a sorte económica da França nos deve deixar indiferentes está bem enganado. A Eurolândia pode muito em relação a Portugal, para o bem e para o mal.

O meu voto? Entre Bayrou, o "jesuíta", como foi carinhosamente apelidado pela delicada enarca Ségolène, e esta última, o meu coração balança (ou talvez não). Até posso ter dúvidas quanto à competência, e, sobretudo, quanto à coerência do programa de Ségo. Mas ela não abunda nestas eleições. E eu sou um feminista coerente, defendo, portanto, que o verdadeiro critério da igualdade não é ver uma mulher competente a exercer um cargo importante, é ver até uma mulher incompetente a fazê-lo. Além do mais, não é irónico que seja comum nas "conservadoras" monarquias ver senhoras a exercer a suprema magistratura, e que seja nas "progressistas" repúblicas que isso quase não sucede?
A Marianne foi durante tanto tempo um bom símbolo da República Francesa precisamente porque não passaria pela cabeça de ninguém confundí-la com uma pessoa real. A política era para os homens. Mas pode ser que isso esteja a mudar. O que deixará os homens mais libertos para as coisas verdadeiramente importantes. Imagino algumas leitoras mais preconceituosas a aventar logo: o futebol, os automóveis. Mas não é necessariamente assim, Bayrou, por exemplo, interessa-se muito pela criação de cavalos.

A SEGUIR: Os postes do Pedro Magalhães no Margens de Erro.
IMAGEM: Entrada Marianne na Wikipedia.

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