A política depois da sua cultura
Em vez dos acordos económicos (e do que eles revelam sobre o estado actual da Venezuela), em vez da situação de 600 mil portugueses emigrados, em vez da relação entre os problemas de energia e o investimento da Galp na Venezuela, todos os dias a conversa do cigarro, o triste «peço desculpa» e o fatal «prometo deixar de fumar». Eis a despolitização em pleno.
Nada disto é novo, nem sequer o caso concreto. O aviso foi feito a tempo, sobre o que a lei do tabaco aprovada o ano passado significa em termos de espírito de denúncia (viu-se logo na primeira noite da sua vigência, na «marcação» ao director da ASAE). Entretanto, Sócrates entusiasmou-se com a obamização (nas Novas Fronteiras dedicadas aos 3 anos de governo, a conversa estafada da «mudança»). Na despolitização nada se deve ao acaso...
PS - Outro caso, infelizmente com demasiados episódios para valer a pena seguir todos, é a campanha do PSD, com o seu Obama (Passos Coelho), com a sua favorita (Ferreira Leite) e com o seu desmancha-prazeres (Santana). Tudo, desde os ataques a Sampaio até à colagem de Cavaco a Ferreira Leite, é redução da política a uma inanidade tal que já nem é preciso refundar o partido sem ideologia que o PSD sempre foi, basta continuar sempre a fingir que nada se tem a ver com «aquilo», afinal o que todos fazem. A despolitização como substituto da política.
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