Corrupção
«Há uma boa miúda num bar de alterne que nos vai ajudar a apanhar os bandidos». A ideia está no filme produzido por Alexandre Valente, embora as palavras possam não ser exactamente estas, e resume o plot. A ficcionalização da história real – Sofia é contactada por um polícia antes de conhecer o Presidente do Clube e desvia-se do bom caminho porque se apaixona por «Luís» não convence ninguém. O que é grave num filme que se pretende um retrato realista da degradação moral do mundo de futebol e da sociedade portuguesa, partindo de uma história real.A sequência da orgia sexual, que forneceu imagens à campanha publicitária, é dispensável. A maior parte das mulheres têm um ar boçal, o que podia ser um efeito pretendido. Os homens não parecem árbitros de futebol, mas actores porno, o que não surpreende.
O filme desilude? Sim. O filme está aquém das intenções de João Botelho e dá a entender que mesmo a versão final ficará aquém das expectativas dos espectadores? Sim. Arrependi-me de ver o filme? Não me arrependi e talvez o facto se deva a excesso cinéfilo da minha parte. Um filme é uma obra muito complexa e há quase sempre um aspecto que se aproveita. Neste caso, as interpretações de Margarida Vila-Nova e Nicolau Breyner, secundados por outros bons actores: Vergílio Castelo, Rita Blanco, Ruy de Carvalho, etc. Salva-se também um ou outro plano brilhante. E, nas categorias técnicas, a montagem, o guarda-roupa e a cenografia.
Não sei se a minha cinefilia militante chegará para ver a «versão do realizador». Mas tenho uma curiosidade: os 17 minutos que faltam devem atribuir-se apenas ao arrojo comercial do produtor ou à existência de cenas incómodas com personagens «elitistas e sulistas»?
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