sábado, outubro 20, 2007

Porreiro, Pá!

Suponho que Medina Carreira aprovaria o discurso não ensaiado, verdadeiro portanto. (E eu a pensar que o mal do país era o improviso!) "Porreiro, Pá!" Eis as palavras históricas que marcam o desfecho feliz (até ver... mais vale mandar os foguetes já) de uma farsa. Uma farsa que começou num certo dia em Paris, que entretanto levou Sarkozy ao poder para resolver a confusão criada (como eu previ, na altura), e até agora pouco ou nada conseguiu mudar de essencial - felizmente - do Tratado Constitucional/Reformador. Há que respeitar a vontade democrática... dos 18 países que já tinham ratificado o Tratado Constitucional.
Entretanto, Pacheco Pereira e o Sun declararam o fim dos Estados nacionais. Mark Mardell, o correspondente da BBC em Bruxelas, comenta com propriedade que espera que os jornalistas políticos (por assim dizer) do tabelóide inglês sejam consequentes e troquem a decadente Londres pela "capital europeia". Pacheco Pereira certamente continuará por cá, visto que já conhece Bruxelas, a proclamar muito bem o finis patriae.
Mas se a decadência britânica me parece evidente - vejam como a diplomacia em tempos hábil de Londres anda a toque de caixa do quase centenário Mugabe. No entanto, sinto-me tentado a acreditar (afasta de mim esse pensamento único, pá!) que Portugal nunca teve tanto peso efectivo no coração Europa como hoje. (Ou pelo menos, não desde o tempo do santo padre João XXI!) Ilusões, dirão. Independência, independência - soberania mesmo face à Europa - era com Salazar. Tal seria, suponho, quando a tropa portuguesa andava a combar em África com camiões e metralhadoras alemãs e helicópteros franceses. Ou então talvez, logo depois, quando o pessoal revolucionário, que agora se reciclou em bloco, rebentou soberanamente com a economia de tal maneira que pôs o FMI a mandar cá em vez do BCE. Bons tempos, dirão! Talvez. E que tal fazer um referendinho sobre o assunto?
Claro que o tratado nasceu com problemas. Quem é que não os teria ao sair das mãos de parteiras tão ternas e dedicadas como Gordon Brown ou os gémeos polacos? Mas pelo menos dá alguns passos na direcção certa. Seria talvez melhor que fosse mais legível e mais democrático, mas isso dificilmente seria possível sem ser mais federal.
Os problemas, espero, serão corrigidos com o tempo. (Um que pode ser sério é haver chefes a mais: dois presidentes e um alto representante; outro, é que haver votações europeias de menos). Isto, claro, se houver tempo. Nomeadamente, resta saber se o bom povo britânico não virá entretanto tentar impor a sua vontade ao resto da Europa, descarrilando tudo mais uma vez.

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