quinta-feira, setembro 07, 2006

A queda abrupta


O mito da queda de Salazar da cadeira continua a ser enriquecido por versões e pormenores, como se vê neste post do Corta-Fitas. Será sintomático de um tempo de incertezas e de crise o renascido interesse por esta história? Este Verão, na praia, ouvi pela primeira vez outra versão da história que até me parece verosímil. Salazar não caiu da cadeira mas de pé, ao contemplar o Tejo, abruptamente. A única testemunha ocular do acidente foi o seu barbeiro. Dona Maria é que inventou a história da cadeira, por razões plausíveis: uma queda da cadeira seria muito menos aparatosa e daria muito mais esperanças de recuperação. Ao barbeiro foi exigido silêncio. Só o quebrou, por sua iniciativa, quando Fernando Dacosta se encontrava a escrever um livro em que abordava o assunto. Parece que os médicos que cuidaram de Salazar nunca acreditaram na versão oficial do acidente.
Se pensarmos em ambas as versões, a da cadeira partida tem muito a ver com a ideia de «viver habitualmente», inculcada pela propaganda do regime, e a da queda inesperada e vertiginosa parece um golpe trágico. John Ford disse: «when the fact became legend print the legend». É uma frase válida nos Estados Unidos, não num país em que as lendas tendem a suavizar os factos.

7 Comments:

Blogger Pedro Picoito disse...

João, atenção à gralha: "de fact"?

11:34 da manhã  
Blogger Luís Aguiar Santos disse...

Um tio meu, salazarista, conta outra versão: houve queda da cadeira e não foi um acaso; a cadeira foi lá posta por um infiltrado a soldo do Partido Comunista. Esta também "si non è vera, è benne trovatta"...

12:46 da tarde  
Blogger camarada Atumigrejamana disse...

Jovem se és revolucionario, tens um espirito a necessitar de ideologias, queres emprego para todos, marchas a favor disso...pois bem, só existe uma resposta, junta-te a nós!! O OP é a resposta!!!Um must ideologico a descobrir www.o-partido.blogspot.com
Burocracistas de portugal uni-vos!!!

2:17 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida disse...

Pedro, obrigado pela observação. Já corrigi a gralha.
Já depois de escrever o post lembrei-me do filme de John Ford em que é dita a famosa frase, depois repetida pelo realizador e por muita gente. É «O homem que matou Liberty Valence». Para quem não viu o filme ou não se lembra é a história de um senador (James Stuart) que tem a fama de ter morto um bandido muito perigoso. No final descobre-se que, apesar do senador ter o crédito de ter arriscado a vida para matar Liberty Valence, este foi morto, a sangue frio, por outra personagem (John Wayne).
Isto relativiza a sentença final. Nos EUA as lendas também «suavizam» os factos. Talvez seja assim em todo o lado, com determinados factos. De qualquer modo, John Ford mostrou a lenda e o «facto».
Luís, a hipótese da conspiração comunista é «benne trovatta». Para mim, o carácter insólito, inexplicável da queda abrupta é um argumento a favor da sua plausibilidade. Quem é que se lembrava de inventar uma história assim - um dos mais velhos ditadores da Europa a cair de repente, sem razão alguma?

4:32 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida disse...

É James Stewart, claro. Estou a precisar de férias...

6:15 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

Stuart era mais giro. Sempre é nome de dinastia, ainda que fracassada!

7:29 da tarde  
Blogger João Villalobos disse...

Caro João Miguel,
Parece que o Fernando Dacosta investigou aprofundamente o assunto.
Não tenho certeza alguma sobre a história que coloquei no Corta-Fitas, mas pretendo seguir o rasto da tal senhoras. E ir actualizando o assunto :)
Abraço

6:06 da tarde  

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