quarta-feira, setembro 06, 2006

Ilações sobre uma cabeçada2

A cabeçada de Zidane derrubou não só Materazzi mas também algumas categorias de Max Weber. O grande sociólogo alemão distinguia entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade. O santo agia segundo a ética da convicção, ao «dar a outra face», na fidelidade ao código de valores do «Sermão da Montanha». O político não podia ser santo nem «dar a outra face». Ele agiria segundo a ética da responsabilidade.
No caso de Zidane a responsabilidade de capitão de equipa consistia em ignorar os insultos de Materazzi, ou seja, em «dar a outra face». Ao dar a cabeçada, Zidane recusou a ética da responsabilidade. Mas será que lhe faltou convicção?
«Dar a outra face» pode ser traduzido, em linguagem moderna, por «resistir a provocações» ou «evitar a violência». Não se trata de um pacifismo radical, pois uma «bofetada na face» não é uma facada, um tiro ou uma agressão contínua. Antes de insultar Zidane, Materazzi agarrou-o pela camisola. Perante esta atitude agressiva, Zidane disse-lhe: «se queres tanto a camisola, dou-ta no fim do jogo». Ou seja, à primeira agressão, «deu a outra face». Depois, perante a insistência, é que atirou a Materazzi uma cabeçada. Ela não revelou nem um santo nem um político, mas um homem sem pretextos.

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