quinta-feira, setembro 14, 2006

CDS: treinadores de bancada e sebastianismo (pobre dr. Ribeiro e Castro)

O dr. Pires de Lima, que acaba de deixar o seu lugar no grupo parlamentar do CDS, veio defender publicamente a necessidade de mais um congresso. Ainda há poucos meses o CDS esteve reunido em congresso e, novamente, é necessária uma reunião magna do partido segundo este "crítico" da actual direcção. Em relação à ala crítica (ou "portista") do CDS, que até é aquela de que me sinto mais próximo, já toda a gente percebeu duas coisas: primeiro, que está apostada em tornar a vida do dr. Ribeiro e Castro num inferno; segundo, que está à espera que o dr. Paulo Portas se decida a reassumir a liderança. Esta postura tem dois grandes inconvenientes. Por um lado, está a levar a opinião pública (dentro e fora da área liberal e conservadora) a fartar-se do CDS e a convencer-se da sua imaturidade e inutilidade; de facto, que partido é este em que uma obstinada oposição interna não deixa governar nem quer governar? Os adversários públicos de Ribeiro e Castro não estão nos partidos concorrentes, mas dentro do CDS: todos os dias lhe desfazem a liderança e tudo fazem para o desacreditar e humilhar. Depois, pedem congressos e, lá chegados (surpresa das surpresas!), nenhum destes barões valentões se chega à frente para apear Ribeiro e Castro. Com isto, estarão a pensar que não afectam a imagem pública do partido? Santa ingenuidade! O segundo inconveniente é que esta espera sebástica pelo dr. Portas leva os seus apoiantes a anularem-se politicamente dentro e fora do partido, queimando toda a energia em guerras de alecrim e manjerona que, além de despertarem desconfiança fora, não estão a preparar em nada as opções do partido para a próxima legislatura. Pode admitir-se que tenha sentido o dr. Portas não entrar já, para não se "desgastar" (e parece evidente que entrará assim que o quiser, porque o partido o quer); o que se pode questionar é se, com esta estratégia de afrontamento, o dr. Portas terá (a um ano das eleições gerais? a seis meses?) alguma coisa à qual voltar, quero dizer, um partido que ainda seja levado a sério por alguém de fora e que consiga nas eleições um resultado que não o leve novamente a ir-se embora e o CDS a ficar no estado balcanizado e politicamente irrelevante em que tem escolhido estar. Porque esta é a questão: com mais ou menos deputados, o fundamental é que se perceba o que o CDS quer para o País – seja alguma coisa parecida com isto ou não. O dr. Ribeiro e Castro está a fazer o seu papel de travessia do deserto e tentou – porque há que reconhecer que tentou – ter um discurso coerente e geralmente acertado sobre as principais questões políticas; mas, sempre que fala, não é o dr. Louçã que faz ruído para que nada se ouça, é o dr. Pires de Lima e os outros barões valentões, mesmo no grupo parlamentar. Mas, se há uma travessia no deserto a ser feita, porque não deixam o homem fazê-la? É preciso torrar-lhe a paciência e deixar arder o partido? Ou será preciso concluir-se que os "críticos" são gente que nada sabe construir (nem uma estratégia decente) e que, portanto, não merecem qualquer confiança para virem a ter maiores responsabilidades no partido e no País? Já há quem comece a pensar isso (quer dizer, quem sempre votou CDS e não é democrata cristão).

1 Comments:

Blogger Sofocleto disse...

O Dr. Catherine Deneuve está de volta! Que saudades!

9:50 da tarde  

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