quinta-feira, agosto 31, 2006

A oportunidade perdida no Iraque


Ainda a propósito do Iraque, há já quase três anos, Bernard Lewis e R. James Woolsey defenderam uma solução política mais que interessante; a única que fazia sentido. Nesse texto esquecido, em vez da engenharia política patrocinada pelo invasor, os autores defendiam a restauração da Constituição de 1925 e a sua ulterior revisão pelos processos constitucionais previstos no texto. E tinham a coragem de advogar uma chefia de Estado dinástica e Hachemita. Foi outro o caminho, infelizmente para os Iraquianos, apesar de existir um pretendente credível.

5 Comments:

Blogger João Miguel Almeida disse...

Tem o mérito de ser uma proposta concreta para o imbróglio do Iraque. Mas ignora aquilo que parecia ser «a aquisição civilizacional de Saddam Husseim»: um Estado laico com tolerância religiosa. Tendo em conta este antecedente o problema não seria uma República laica respeitadora das religiões, mas é a conexão entre os xiitas radicais iraquianos e iranianos.
A questão é também saber se, apesar de não haver animosidade histórica dos xiitas contra o príncipe Hachemita, essa solução seria aceite quando ele aparecesse como um instrumento pacificador dos Estados Unidos e num contexto em que o Irão é uma República electiva. Isso também dependeria da atitude o príncipe em relação ao regime de Saddam Husseim no passado. Talvez um referendo ao príncipe fosse um reforço legitimador necessário.
Agora, após a formação da assembleia constituinte e a realização das eleições, essa solução parece-me ultrapassada, mas a reflexão sobre o que era possível pode ajudar-nos a encontrar soluções para o presente.

2:54 da tarde  
Blogger Luís Aguiar Santos disse...

Chamo a atenção do João para o facto de a tolerância religiosa já existir no Iraque antes de Saddam Hussein. Pelo que a "aquisição civilizacional" que refere ter mais pinta de retrocesso...

4:11 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida disse...

«Touché», mas, nesse aspecto, o Iraque de Saddam estava melhor do que o Irão, que persegue minorias religiosas e onde o ateísmo é punido com a pena de morte.

4:58 da tarde  
Blogger Luís Aguiar Santos disse...

De acordo. E repara que o Iraque era uma monarquia (antes de 1958) e o Irão é uma república...

6:28 da tarde  
Blogger cristina ribeiro disse...

Uma oportunidade perdida,mesmo!(como,aliás, noutras latitudes...).Talvez Sharif Ali tivesse conseguido congregar os iraquianos à sua volta(como vemos acontecer na grande maioria das monarquias),à imagem do que acontece na Jordânia.

7:13 da tarde  

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