sábado, julho 29, 2006

Sete palmos de monopólio

A Servilusa é uma agência funerária de nome nacionalista e capitais maioritariamente espanhóis. Tem sido mortífera para muitas pequenas empresas do ramo de carácter familiar. Em parte por causa da abordagem profissional e inovadora da sua actividade. Mas também porque estabeleceu acordos com capelas de Lisboa que excluem as agências concorrentes ou obrigam-nas a pagar um aluguer à Servilusa para usar as referidas capelas. A situação não me parece nada pacífica, mas tem escapado a controvérsias. Os falecidos, como é óbvio, não se queixam, e os familiares, em horas de luto, não perdem tempo a questionar distorções da concorrência. Qualquer discussão de preço parece uma afronta à memória de quem se perdeu para sempre. Recentemente, a Servilusa pediu mais de mil euros pelo aluguer de uma carrinha, por um dia, para transportar, de Lisboa a uma aldeia ao pé de Trancoso, oito participantes num funeral. Neste caso, as pessoas decidiram recusar a «oferta» e resolveram o problema com um sistema de boleias e uma noite dormida na aldeia. Mas como seria se as boleias não chegassem ou não houvesse oportunidade de dormir uma noite na aldeia? A escolha seria entre uma viagem de ida e volta de Lisboa à Beira Alta, num só dia, de carro, com um enorme desgaste físico e emocional, ou a aceitação da «oferta». Porque naquela capela não trabalhavam outras agências com outras alternativas. Vale a pena pensar nisto. É sinal de que estamos vivos.

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