sábado, dezembro 16, 2006

Realismo dos EUA até à China passando pelo Iraque

É verdade que o Iraque Study Group não apresenta uma solução miraculosa, nem particularmente brilhante, para o Iraque. Aliás, numa guerra de guerrilha o grande problema é a procura de soluções miraculosas e saídas rápidas. A Comissão Baker-Hamilton nunca prometeu isso, aliás. Serviu sobretudo para voltar a dar voz a muitos especialistas antes marginalizados. E o seu relatório serve de primeiro passo na procura de um novo consenso mínimo político e militar nos EUA em torno da guerra do Iraque.
A questão fundamental nesta altura é escolher entre as alternativas menos más e as catastróficas. Mas isto não é culpa dos Realistas - muitos deles conservadores, claro, e ligados ao Partido Republicano, embora marginalizados por George W. Bush. É que os Realistas (vomo especialistas em segurança internacional e no Médio Oriente de outras escolas de pensamento) opuseram-se a uma intervenção dos EUA no Iraque precisamente com o argumento de este país ter todo o potencial para ser um desastre. Pois tinha sido corroído por uma ditadura terrível e estava minado por divisões sectárias, étnicas e religiosas, acirradas por Saddam Hussein. De um desastre, por definição, não se sai bem.
Quanto aos problemas morais e práticos de lidar com o Irão, James Baker III respondeu por antecipação às críticas que se advinhavam: passámos a vida a negociar com a URSS que tinha muitas armas nucleares apontadas para as nossas cidades. E não foi o Republicaníssimo Nixon, muito em reacção ao enfraquecimento dos EUA no Vietname, a ir a Pequim para falar com Mao? Na altura muitos mostraram-se escandalizados. Hoje alguém contesta que tenha sido uma jogada bem pensada e indispensável? Não sei se o presidente Bush tem visões, mas duvido que tenha visão para tanto.

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