sábado, dezembro 16, 2006

MEC?


Vi na RTP a interessante entrevista de Rui Ramos a um Miguel Esteves Cardoso em grande forma, com as suas intuições antropológicas apuradas, perfeita mímica social e, nem é preciso dizer, muita piada. (A piscina e a casa também não me pareceram mal.)
No final, dei por mim a pensar (a custo) como o olhar de Esteves Cardoso sobre Portugal tem realmente muito de inglês: cheio de bom-humor, de valorização do que se tem precisamente porque nada é visto de forma demasiado séria, e de conservadorismo inato, do mudar sim mas pouco e devagar para que não se estragar com grandes planos o benzinho que se tem. E não está mal como correctivo ao nosso messianismo.
Como ele bem disse comecem pelo lixo à porta de casa! E era aqui que eu queria chegar: será que podia pedir aos porcos dos portugueses ecologicamente responsáveis que deixem de fazer do Vidrão e do Papelão uma lixeira a céu aberto?
Ironia das ironias a própria figura do MEC, a forma como é frequentemente apontado como caso único, e (contraditoriamente, mas é assim) a quantidade de textos "não me chateiem com coisas sérias" que veio no seu encalce, alimenta algo que ele denuncia: a completa separação do brincar (muitas vezes a puxar para a sátira violenta, aliás) das coisas sérias. E é pena. Porque sendo a vida o que é, fazer análise à séria parece impossível, muitas vezes, sem uma dose de humor.

1 Comments:

Blogger José Reis Santos disse...

E já agora, optima entrevista no DnA de sexta-feira (do diario de notícias)

8:47 da tarde  

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