terça-feira, julho 18, 2006

Alzamiento: 18 de Julho de 1936


Há sessenta anos atrás começava a Guerra Civil de Espanha, que iria dilacerar o país vizinho por três anos e que tanto impacto teve em Portugal. Uma primeira constatação óbvia: uma guerra civil não começa num país a viver numa democracia normal. A Espanha tinha entrado numa espiral de violência desde pelo menos a revolta das Astúrias três anos antes.
Em todas as guerras civis, o papel das elites políticas é essencial. A aceitação da violência como instrumento político pelos dirigentes comunistas e anarquistas, pela Falange, e, ainda mais trágica e inesperadamente pela maioria do PSOE - a que só homens do calibre, por exemplo, de Julián Besteiros resistiram, sem terem depois conseguido escapar ao turbilhão - tinham levado o país vizinho à beira da catástrofe em que se iria precipitar pela via de uma conspiração de militares reaccionários.
Uma guerra civil "clássica" implica a divisão das forças armadas - ou seja a formação de "dois" exércitos paralelos. Foi o que sucedeu em Espanha. Em que os militares revoltosos, dirigidos pelos generais Sanjurjo, Mola e Franco, não conseguiram obter a adesão de muitos oficiais e membros das forças de segurança.

Nada seria pior do que continuar na História, e na memória política, uma guerra civil. Não significa isto esquecer. Significa resistir a uma leitura militante, o que na altura era muito difícil, mas a que uma boa crítica histórica e uma sólida democracia, hoje, obriga.
Houve atrocidades dos dois lados, mais e durante mais tempo do lado dos vencedores do que dos vencidos. Mas o essencial é que as guerras civis são sempre o triunfo da lógica da violência na política. São a derrota de todos os mecanismos liberais de respeito pelos direitos do adversário. São o império do combate ao "inimigo interno", às "quintas colunas". Foram talvez 50.000 os assassinados do lado republicano. Foram talvez 150.000 os assassinados do lado franquista. Todos eles merecem ser recordados. Todos eles merecem, sobretudo, que se estude com rigor o que aconteceu, até para que não volte a acontecer.
Infelizmente já não temos connosco o maior historiador contemporâneo espanhol, Javier Tusell, tragicamente falecido em Fevereiro de 2005. Mas fica a recomendação de uma das suas várias obras fundamentais sobre este tema: Franco en la Guerra Civil. E ainda dois livros recentes de Stanley Payne: creio que já traduzido em português temos The Spanish Civil War, the Soviet Union, and Communism; e o recém publicado: The Collapse of the Spanish Republic.

3 Comments:

Blogger Luís Aguiar Santos disse...

Bem!

5:54 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

outras recomendaçoes:

LA GUERRA CIVIL EN 2000 CARTELES
Autor
CARULLA, ARNAU; CARULLA, JORDI
Editor
POSTERMIL, S.L.

http://www.unilibro.es/find_buy_es/product.asp?sku=157690&idaff=0



LA GUERRA CIVIL ESPAÑOLA
de BEEVOR, ANTONY

EDITORIAL CRITICA

http://www.casadellibro.com/fichas/fichabiblio/0,1094,2900001069542,00.html?codigo=2900001069542&titulo=LA+GUERRA+CIVIL+ESPA%C3%91OLA

6:55 da tarde  
Anonymous Cristina Ribeiro disse...

Indicações valiosas!

11:05 da tarde  

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