domingo, julho 16, 2006

Declaração de interesses.


Apoio totalmente a reacção política de Israel ao rapto de dois soldados seus por terroristas do Hezbollah. A acção militar israelita só acontece porque, infelizmente, o Líbano não é um Estado independente e soberano nos termos normalmente considerados, embora seja responsável pelos acontecimentos que provocaram a ofensiva do Estado judaico.
Mas a acção militar israelita, como os actos de agressão sistematicamente protagonizados pelos seus inimigos, só acontece porque os seus naturais amigos e/ou aliados (UE e EUA) nunca definiram claramente os limites de segurança e de soberania de Israel que aceitam poderem ser postos em causa. Será este facto, e não outros, esta ambiguidade intolerável, que poderá transformar a actual crise num acontecimento de proporções incalculáveis.
Na política internacional há, muitas vezes infelizmente, vida para além do direito internacional. Ainda assim convém sublinhar uma verdade que tem sido escamoteada na generalidade dos media: Israel tem agido na actual crise de acordo com o direito internacional na defesa dos seus interesses como Estado.

7 Comments:

Anonymous MP-S disse...

Destruir as infra-estruturas civis, matar centenas de civis e destruir as casas de muitos mais, isto e' agir de acordo com o direito internacional?

Usar violencia sobre civis para obter resultados politicos, esta e' a definicao de terrorismo. Ou nao?

9:50 da manhã  
Blogger João Miguel Almeida disse...

Não tenho nenhum interesse em condenar as acções de Israel, mas vejo-me obrigado a fazê-lo. A reacção foi desproporcionada e contribui para uma espiral de violência. Os princípios éticos da retaliação encontram-se definidos pelo próprio judaísmo: «olho por olho, dente por dente». Ao contrário do que as pessoas geralmente pensam, descobri-o ao ler um livro do Sanders, é um apelo à auto-contenção. O sentido é: «se o teu inimigo te arrancar um olho, arranca-lhe também só um olho; se o teu inimigo te partir um dente, parte-lhe também só um dente.» Parece primitivo mas, à luz dos acontecimentos recentes, é muito civilizado. Se o Hezbollah raptou dois soldados israelitas, Israel devia retaliar raptando dois militantes do Hezbollah - três já era demais.
É claro que haverá sempre quem argumente que os códigos éticos só são válidos entre indivíduos, não entre Estados ou entre um Estado e um movimento político. Mas também não vejo qualquer valia política ou geo-estratégica na operação. As ambiguidades do EUA e da UE em relação às fronteiras de Israel podem ter um papel negativo, mas o principal foco de instabilidade no Médio Oriente é a presença norte-americana no Iraque. Como escreveu Vasco Pulido Valente em relação ao Iraque, esta operação divide o Ocidente e une os fundamentalistas islâmicos.

3:37 da tarde  
Anonymous Cobra disse...

Quando os muçulmanos chegarem a ser 5 por cento da população portuguesa e nos começarem a querer impor os seus costumes e religião pela força, como já acontece em alguns países europeus (Holanda França e até Espanha), talvez vejamos a opinião pública a lamentar a excessiva brandura dos Israelitas.
Que faria a Espanha, se o partido do governo português tivesse uma milicia armada que raptasse soldados espanhóis, que estavam dentro de Espanha e se recusasse a libertá-los e cujo destino mais provavel fosse a morte?
Não se esqueçam que todos os soldados israelitas, raptados ou capturados em combate pelos palestinianos, foram mortos. Claro que para os defensores dos fundamentalistas isto não é crime nem a convenção de genebra interessa.
Israel tornou-se independente em Maio de 1948, depois de votação favorável na ONU. A resposta árabe foi imediata: no dia seguinte à declaração de independência, Egipto, Síria, Líbano e Iraque atacaram o novo país. Cerca de 750 mil árabes que viviam na região foram obrigados a fugir por causa do conflito. Por outro lado, 800 mil judeus residentes em países árabes foram expulsos dos seus lares, onde as comunidades judias existiam há muitas centenas de anos, a maioria tornou-se imediatamente cidadãos de Israel.
Desde a sua fundação que o estado de Israel está ameaçado de destruição, em 1973 a sua existência esteve por um fio.
Quando há conflitos entre árabes, resultam muito mais mortos do que entre árabes e israelitas.
Porque será que ninguém se lembra do ataque realizado pelo exército jordano sobre os campos de refugiados do qual resultou a morte de mais de 20.000 palestinianos.
Se vivêssemos num país constantemente ameaçado, também éramos paranóicos.

5:54 da tarde  
Blogger João Pedro disse...

Cobra, o que é que o número de muçulmanos na Europa tem a ver com Israel? Sabe por acaso quantos há em Portugal? E quais esses costumes que eles impõem de que nos fala? Já que refere raptos, não me lembro de ver aviões ingleses bombardear Belfast em casos análogos.
É engraçada esta total demonização dos árabes quando temos um Estado absolutamente inimputável quando se trata do cumprimento dos seus deveres internacionais. Israel continua a deter todo o poder sobre a Cisjordânia e Gaza, mas ao ouvir algumas opiniões parece que estão debaixo da sola dos vizinhos. Caso algum cidadão da sírio fosse morto À queima roupa por tropas israelitas, e a Síria desatasse a bombardear o aeroporto de Televive,alguém diria diria que era "uma resposta ao terrorismo"? Francamente não percebo esta ideia de que Israel tem mais direitos do que qualquer outro país. Talvez um certo sentimento de culpa face aos judeus.

7:31 da tarde  
Blogger Sofocleto disse...

« o Líbano não é um Estado independente e soberano nos termos normalmente considerados»

Infelizmente, Israel também não. Não passa de um protectorado americano. Que raio de mundo!

8:37 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Nao se sabe bem se foram raptados ou capturados

"De acordo com a polícia libanesa, os dois soldados foram capturados em território libanês na região de Aita al-Chaab, próxima da fronteira israelo-libanesa, onde uma unidade israelita tinha entrado durante a manhã.

A televisão pública israelita, por seu lado, avança que os dois militares foram capturados perto da moshav (quinta colectiva) Zarit, em território israelita, ao lado da fronteira com o Líbano"

Para o caso é o mesmo. Mas se eles foram capturados lá se vai o "Israel tem agido na actual crise de acordo com o direito internacional na defesa dos seus interesses como Estado."

2:11 da tarde  
Blogger Delenda! disse...

Além do mais, sustentar a defesa da proporcionalidade da acção de Israel num artigo, alegadamente pedagógico, emitido por um Conselho de Relações Internacionais sediado em Wahshington, não é propriamente um argumento de força.
[v. http://www.cfr.org/about/]

Para mais quando essa organização é dirigido por um conselho de administração presidido por um ex-conselheiro da administração bushista ("Until June 2003, Richard Haass was director of policy planning for the U.S. Department of State, where he was a principal adviser to Secretary of State Colin Powell on a broad range of foreign policy concerns; v. http://www.cfr.org/bios/3350/richard_n_haass.html) e composto por, entre outros, Madeleine Albright ("Madeleine K. Albright [...] served as the 64th secretary of state of the United States from 1997 to 2001. She was the first woman secretary of state and became at that time the highest-ranking woman in the history of the U.S. government"; v. http://www.cfr.org/bios/3739/madeleine_k_albright.html), um banqueiro ("Peter G. Peterson [...] is senior chairman and co-founder of The Blackstone Group, a private investment banking firm"; v. http://www.cfr.org/bios/257/peter_g_peterson.html), uma consultora de economia internacional claramente comprometida com a defesa dos interesses americanos no estrangeiro ("Carla A. Hills [...] is chairman and chief executive officer of Hills & Company, an international consulting firm providing advice to U.S. businesses on investment, trade, and risk assessment issues abroad, particularly in emerging market economies. As U.S. trade representative from 1989 to 1993, she was the President's principal adviser on international trade policy as well as the nation's chief trade negotiator, representing American interests in multilateral and bilateral trade negotiations throughout the world"; v. http://www.cfr.org/bios/3373/carla_a_hills.html) e um advogado do Citibank ("Robert E. Rubin [...]is director and chairman of the executive committee of Citigroup"; v. http://www.cfr.org/bios/292/robert_e_rubin.html).

Mas que raio de amigo do povo és tu?

(E desculpem lá as citações quilométricas, mas não podia deixar margem para dúvidas...)

4:45 da tarde  

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