domingo, julho 16, 2006

Borregar? Claro que sim!


José Blanco, “secretário de Organização do PSOE”, afirmou que o “processo de paz” com os terroristas bascos poderá ser um êxito apesar do comportamento do Partido Popular. Se fracassar, como os socialistas espanhóis acham provável que aconteça, esse fracasso dever-se-á, em grande medida, à atitude da direcção daquele Partido da direita espanhola. Na mesma declaração, naturalmente concertada com a direcção do PSOE e as figuras mais políticas do Governo, Blanco afirmou ainda que a atitude do PP e da sua liderança, além de politicamente irresponsável e imoral, estava a conduzir ao seu isolamento e, portanto, à diminuição das intenções de voto no partido que José Maria Aznar liderou por mais de uma década. E este apoucamento do PP preocupava o PSOE.
O mais interessante nesta importante declaração política proferida por José Blanco não reside nas acusações ao PP e a Rajoy. Reside, isso sim, na preocupação pela possibilidade de, pela sua intransigência, o PP se tornar numa formação política sem quaisquer possibilidades de poder vir a disputar uma vitória em eleições legislativas ao PSOE. Em circunstâncias normais – caso a Espanha fosse um país normal e Zapatero e os seus cúmplices políticos normais – dir-se-ia que a preocupação manifestada decorreria de receios em relação à produção de um desequilíbrio político sério no sistema político como consequência de um esvaziamento do seu segundo partido. Ora não é isso que está em causa. O que está em causa é muito mais cínico e simples. Zapatero já percebeu que o diálogo com os terroristas só trará a paz se a paz for sinónimo de derrota da democracia e das suas instituições. Visto isto, e apesar das actuais sondagens favorecerem largamente o PSOE, as peripécias das negociações com os terroristas desgastaram, desgastam e desgastarão de tal modo o Governo e Zapatero que terão sempre para os socialistas terríveis consequências. Se o PP estivesse no processo de paz, o mal e, sobretudo, as responsabilidades, repartir-se-iam pelos dois. Não sucedendo tal coisa, e como estão as coisas, é óbvio que o PP paga agora uma factura média e, talvez, aceitável e comportável. Quanto ao PSOE, pela sua responsabilidade e voluntarismo – voluntarismo em tuo idêntico àquele que desgraçou a República em 1936 – pagará no futuro uma factura elevada, inaceitável e incomportável.Portanto, as declarações de Blanco querem dizer que o PSOE – ou alguém do interior do PSOE e do Governo – começa a perceber – talvez demasiado tarde – não apenas o triste caminho em que se meteu mas, sobretudo, que nele segue sozinho – por mais que vários pequenos partidos nacionais e regionais jurem que o apoiem nas negociações com os terroristas. Mas as declarações de Blanco querem ainda dizer que além de andarem a negociar a torto e a direito, os socialistas espanhóis e o seu chefe estão começar a tentar alijar responsabilidades num processo político que iniciaram falando com terroristas e ignorando a sensibilidade e a opinião do PP. Isto é só o início. No entanto, e em linguagem militar, esta atitude verbalizada hoje por Blanco classifica-se como, se não estou em erro, borregar.

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