segunda-feira, junho 15, 2009

O PS na hora decisiva

Nisso creio que todos estão de acordo - vive-se uma hora decisiva para o PS.

O PS tem de fazer mea culpa e virar à esquerda? Muitos parecem acreditar na bondade dessa tese. Mas virar a qual esquerda? Virar para a extrema esquerda? Só se se quiser trair em princípio e suicidar-se politicamente, seguindo a via do PS francês de que se balcanizou irremediavelmente nos últimos anos. Se o fizer, o PS perderá os que apoiam as reformas, sem ganhar os que se lhe opõem.

Sócrates poderá mostrar humildade? Pode. Simplesmente afirmando que se submeterá à decisão popular. Coerência não é necessariamente arrogância ou cegueira, pode ser simplesmente sincera crença que se está a fazer o melhor para o país.

Quem perde em nome de princípios, nunca perde completamente. Quem se perde em taticismos perde muitas vezes duplamente. Finta tanto que se finta a si mesmo.

Sócrates poderá e deverá perguntar: qual é a alternativa de governo numa altura em que para manter o rating da dívida externa e captar investimento estrangeiro é essencial garantir governabilidade e previsibilidade? PSD e o CDS não parecem chegar para formar governo. E alguém acredita seriamente no Bloco ou PCP actuais (que pedem a nacionalização dos sectores essenciais da economia e a saída da NATO) como partidos de governo? Nada tenho contra um bloco central... reformista, mas temo bem um bloco total imobilista do PCP ao CDS.

A crise exige decisões difíceis. Mas sobretudo exige uma visão de futuro, nem que seja um Hollywood no Algarve e um Sillicon Valley em Paredes de Coura. Outros gozarão, o PS deverá tentar fazer mais e melhor se quiser ter hipóteses de continuar a governar. Um porto ibérico em Sines, comboios do século XXI para o século XXI e um novo aeroporto para novos turistas e novos clientes para a TAP. Uma aposta em mais investigação aplicada e melhor design e marketing, com parcerias público-privadas se necessário.

A questão não deve ser fazer contas impossíveis sobre rendibilidade futura de grandes projectos, mas fazer tudo para cumprir orçamentos e fazer render ao máximo o que se fizer.

Os riscos são grandes para o PS e para Sócrates, mas numa nota mais optimista para os socialistas parece que a Internacional Socialista ainda não está a pensar expulsar o PS e convidar o Bloco (nem mesmo o CSD/PP de Nuno Melo). E ninguém se tem lembrado de acusar o PS de não cumprir o seu programa eleitoral. Afinal, será que cumpre até demais?

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2 Comments:

Anonymous Anónimo disse...

Caro Bruno,

Parabéns pelo texto.

Isto anda mesmo mau, parece que não há ninguém capaz de ver e comparar a situação do país hoje, em plena convulsão causada por uma crise internacional avassaladora que dura há um ano e meio, com a situação que Sócrates encontrou há quase cinco anos quando chegou ao governo. É que mesmo apontando o desemprego, um efeito óbvio da crise e da contracção económica, é difícil argumentar que estamos pior. E isto só é possível porque o trabalho realizado tem sido muitíssimo meritório.

Há questões que me desagradam nesta legislatura, obviamente, mas quando as ponho na balança e penso no contra-peso necessário para equilibrar os pratos, é notório que não há alternativa.

Um abraço,
Nuno Sousa

11:45 da manhã  
Blogger António disse...

Concordo inteiramente. Havia necessidade de promover mudanças nos vários sectores e "corporações". Obviamente que toda a mudança gera conflitos e "oposições". O grande problema, e talvez erro, seja uma certa arrogância na forma como se publicitam e comunicam as mudanças...
Claramente terá sido esse o problema que contribuiu para agravar os conflitos e aumentar o descontentamento e a desconfiança. Isso normalmente "paga-se" no momento das votações. A Democracia, tal como a concebemos, continua a ser o melhor modelo até surgir outro menos imperfeito...

1:01 da tarde  

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