terça-feira, dezembro 16, 2008

Quando


Tenho recordado este poema nos últimos meses, mas hoje apeteceu-me partilhá-lo. Morrem coisas e pessoas, nascem coisas e pessoas, é a vida, e só pode acabar:


Quando


Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.


Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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