quinta-feira, junho 05, 2008

Aprender com os outros

é uma boa ideia. Eu pelo menos acho que sim (a originalidade é por vezes sobrevalorizada). Como o Jorge e o David, a questão da crise alimentar também me tem apoquentado, e não me lembro de ouvir tanta gente queixar-se desde 1983-1984 (eu sei, rapazes, vós éreis mui pequenitos para vos lembrardes...eu não me posso lembrar de outras anteriores, também). Nesse sentido, eu desafiaria as direcções de informação da RTP, SIC e TVI a, num intervalinho do enchimento-de-chouriço futebolístico à borda do lago Neuchâtel (que lá original tem sido, concedo, com directos de padarias turcas e perfis de chiuauas que dão patapés em bolas de cautchu), emularem esta iniciativa da BBC. Do que se lembrou a estação? De uma coisa que qualquer meio de comunicação com correspondentes internacionais pode fazer: acompanhar durante os próximos tempos a vida de várias famílias em outros tantos pontos do globo, de forma a perceber que alimentos vão faltando onde, quem acha que soluções para que problemas, qual a percentagem do orçamento consumida, ou qual a diferença relativa nos preços disto e daquilo. A mim interessa-se o que se passa com as famílias de Porto Alegre, Benguela, Quelimane, Praia, Baucau, Aveiro, que em diferentes tons de português, ou noutras línguas, vão contando as suas notas e moedas, e de certeza que não estou sozinha. Pensem nisso com carinho, têvês.

[Capa: BD da SERASA]

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3 Comments:

Blogger David Soares disse...

Cláudia,

Enquanto Portugal se mantiver em competição no Euro, todos os holofotes e atenções vão estar focados no percurso da nossa selecção. Pouco ou nada se ouvirá sobre a crise alimentar, os combustíveis, o desemprego, o atraso em relação à Europa, a mobilidade dos funcionários públicos, o abandono escolar e mais um sem número de problemas. Quando a realidade se sobrepuser à ficção, o despertar vai ser doloroso.

9:30 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Estas opiniões semi-esclarecidas sobre os maleficios do Euro à nossa linda nação, são mais escapistas do que o que criticam...Afinal de contas não é o Euro que governou Portugal nos últimos 30 anos.
Apesar dos "estragos" irremediáveis a Portugal, o governo continua a brilhar:
«O ministro da Economia, Manuel Pinho, voltou ontem a ausentar-se de uma reunião dos seus pares da União Europeia (UE), antes do debate que pedira sobre os preços do petróleo. (…) O ministro abandonou, no entanto, o encontro perto das 15h00, antes da realização do debate. (…) Ontem, o ministro teve de participar numa “reunião com o presidente de uma multinacional e jantar com ele e com o primeiro-ministro”, explicou a sua assessora de imprensa. (…) Tanto os outros países como a Comissão Europeia estavam à espera de ouvir as ideias que o ministro português avançaria para resolver um problema que, de acordo com o entendimento generalizado, não tem respostas fáceis ou de curto prazo. Pinho estava ontem igualmente ausente quando os Vinte e Sete chegaram a acordo sobre as regras de concorrência aplicáveis à energia, encerrando um dos temas mais controversos dos últimos tempos» in Público

11:46 da tarde  
Blogger Ana Cláudia Vicente disse...

Anónimo(a),

a 'opinião semi-esclarecida' não era sobre 'os malefícios do Euro', não sei se reparou.
Além disso, este blogue não foi, é, nem será nunca um blogue de defesa encapotada a nenhum governo, como estranhamente sugere. Cada um dos cinco bloggers exprime aqui a sua opinião sobre o que lhe apetece de forma bastante clara e relativamente variada, e assina com o seu nome, para não haver equívocos. Se nos ler com um bocado mais de atenção verificá-lo-á.

11:22 da tarde  

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