sábado, fevereiro 23, 2008

Nem sabes no que te meteste,

João! Estava a ver que ninguém me passava este último meme. Vai sair daqui um "lençol" que nunca mais acaba, tens de ter paciência. Pois devo dizer que as palavras de que mais gosto são as muito sonoras. Algumas daquelas que mais uso são:

1. Serigaita; de sentido originalmente pejorativo e bastante datada, ganhou na minha cabeça, com a mudança da condição social feminina, uma patine simpática; aplico-a a alguém espevitado, impertinente, suscitador de inveja admiração.
2. Barrela; padecendo da tara da limpeza, uso-a em momentos de maior agressividade higienizante. Diz que se me raiam os olhos, até.
3. Mesureiro; indivíduo extremamente coladiço e mal-disfarçadamente rebarbativo. Pessoa que se desfaz em elogios e/ou com-licenças num tom de voz EduardodeSá. Característica frequente nos profissionais da restauração, acompanhada de alto débito de diminutivos.
4. Langonha; a pessoa di-la vem logo um travo a coisa estragada, fermentada, peganhenta. Blhec.
5. Retinto; um dos meus adjectivos favoritos, uma espécie de bold/negrito que antes de ser já o era.
6. Saracotear; muito feminil e luso-tropicalão, este verbo. Depreciativo (funciona bem na narração de historinhas boateiras e maledicentes), mas não demolidor.
7. Avantesma; quem nunca viu alguém que mete medo ao susto, não usa. Uma vez, num supermercado perto de Arganil, vi entrar uma família de seis pessoas todas com ar de elo perdido, e percebi o conceito.
8. Trambolho; o que estorva mais que um mono. Aplico-a muito a mim mesma, nos dias que me dão para deixar escorregar copos e bater com os joelhos nas esquinas das cadeiras.
9. Peripaque; só os sobressaltados dizem palavras destas. Também há a sulipampa (que às vezes também dá para o gasto).
10. Fífia; sabe a assobio, dá vontade de vaiar e tudo. Lembro-me muito dela nas missas, ocasião onde o défice da educação musical nacional é...gritante.
11. Tiritar; muito sazonal, soa a bater de dentes. Apropriada durante mais umas semanas.
12. Abrenúncio!; pode não esconjurar nada, mas alivia.

Para acabar, duas palavrinhas tão gastas e mal-tratadas nos últimos tempos que dá vontade de as pôr em quarentena:
a) Desertificação para aqui, desertificação para ali, quando o que as pessoas querem dizer é DESPOVOAMENTO.
b) Espectacular [com e sem ponto de exclamação], o adjectivo da moda usado de Trás-os-Montes à Ilha da Fuzeta para qualificar qualquer coisa ou pessoa de que se gosta.

2 Comments:

Blogger João Miguel Almeida disse...

Ah, o meu poste teve pelo menos o m�rito de prendar o blogue com este excelente gloss�rio.
Confesso que algumas das minhas doze palavras foram arrancadas � �ltima hora ao dicion�rio. Outras n�o tenho muitas oportunidades de us�-las. Por exemplo, a que prop�sito � que se diz que o leit�o cuinca ou a raposa regouga?

10:52 da tarde  
Blogger Ana Cláudia Vicente disse...

Ora eu não sabia que o leitão cuincava, confesso sem vergonha. E regougar nunca ouvi; é nestas alturas que descobrimos que não somos nada vividos :)

6:45 da tarde  

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