terça-feira, janeiro 22, 2008

Banqueiros para o povo


É realmente bom colocar a recente “crise do BCP” e as análises sobre o fim eminente do capitalismo em Portugal numa certa perspectiva histórica e analítica.

Não é preciso ler Marx, e menos ainda ser marxista, para perceber que as elites políticas e económica sempre estiveram e estarão próximas. Os regimes comunistas, aliás, foram e são, um exemplo extremo disso.

Mercado livre e desimpedido, em Portugal sobretudo, sempre foi coisa rara. Não foi, aliás, o BCP criado por iniciativa ou encorajamento do então ministro das finanças? Foi o que me constou.

Finalmente, a banca é uma “indústria” muito próxima do Estado em qualquer parte do mundo. Para perceber porquê vejam um artigo recente de Martin Wolf no Financial Times, defendo a intervenção do Estado no pagamento dos banqueiros, por forma a evitar incentivos a inflacionar ganhos de curto prazo e disfarçar riscos de médio e longo prazo. Entre outras coisas Wolf lembra que tivemos 100 crises bancárias significativas nas últimas três décadas a exigirem intervenção do Estado, incluindo 4 nos EUA, supostamente o sistema financeiro mais sofisticado do mundo e templo do capitalismo “desenfreado”.
Ou seja: No industry has a comparable talent for privatising gains and socialising losses. [...] They know that as long as they make the same mistakes together – as “sound bankers” do – the official sector must ride to the rescue. E porquê esta especial capacidade da Banca para nacionalizar as perdas e privatizar os ganhos? These are virtually the only businesses able to devastate entire economies. Em defesa dos banqueiros, diga-se, o nível de incerteza e de penalização potencial por não seguir a manada é muito elevada e os bancos estatais – veja-se a China, não são propriamente um exemplo de rigor.

Há portanto grandes incentivos para que haja uma relação próxima entre banca e poder para minimizar riscos e potenciar recompensas. Nada de necessariamente errado, até prova em contrário: de abuso de poder, de discriminação política. A não ser, claro, que haja alguma regra que desconhecia que obrigue a que o PS tenha entre os seus apoiantes apenas professores e advogados. Seria preferível ter administrações bancárias pouco politizadas e altamente competentes? Seria. Mas será talvez algo improvável, e deverá ser sobretudo o último factor a contar. Bom seria evitar demagogias baratas que saem caras em termos de legitimação do sistema político e económico. Ou então avançar com propostas concretas e construtivas que melhorem a supervisão e transparência da Banca. Voluntários, por exemplo, para se avançar em Portugal com a proposta de Wolf?

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2 Comments:

Anonymous Jorge Lopes disse...

Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”

10:04 da manhã  
Anonymous Bruno C Reis disse...

Eu não estava a personalizar a questão, queria fazer exactamente o oposto.

2:58 da tarde  

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