quinta-feira, novembro 09, 2006

Rumsfeld, o "ícone".

Fonte: bbsnews.net
"The first war of the 21st century is not well-known, it was not well-understood, it is complex for people to comprehend." Palavras proferidas por Donald H. Rumsfeld, ontem, no momento em que resignou ao cargo de secretário da Defesa. É possível que estas palavras pronunciadas por Rumsfeld se apliquem a ele próprio e que, portanto, também o já ex. secretário da Defesa não tenha compreendido devidamente qual seria a melhor forma de fazer aquela guerra e, até, se aquela guerra devia ter sido feita - se assim foi, se não foi capaz de compreender aquilo que aconteceu no Iraque desde 2003, então terá sido tudo ainda muito mais trágico.
De qualquer modo, é ainda cedo para que se faça um juízo minimamente objectivo e completo sobre o homem e as suas políticas. Rumsfeld, o "ícone" norte-americano da guerra contra o terrorismo, como lhe chama carinhosamente o Washington Times, foi, e ainda é, na política norte-americana e mundial, um dos homens mais conhecedores e mais bem colocados para perceber o chamado "mundo árabe". Rumsfeld é uma personagem fria, arrogante, extremamente combativa, um trabalhador incansável, uma formiga de bastidores. Uma inteligência misteriosa, ora calculista, ora audaz, ora conservadora, ora revolucionária, mas, igualmente, um político a quem a experiência endureceu e que, talvez por isso, passou a privilegiar cada vez mais o conflito, os combates quase impossíveis, o experimentalismo doloroso, ao mesmo tempo que despreza a actual política feita cada vez menos com espessura e mais com imagem. Uma política com a qual não transige mas que seria capaz de manipular. Não deixaria de ser interessante conhecer os pormenores da sua demissão e, sobretudo, a forma como a sua personalidade lidou com aquela que era a solução mais óbvia do ponto de vista político mas que, certamente, ia contra aquilo que é a essência do carácter de Rumsfeld. Aguardo por isso com interesse e expectativa as suas memórias (ainda que o mais provável seja que as não escreva, por se tratar daqueles homens que não prestam contas a ninguém, senão eventualmente a Deus, mas só depois da morte). As suas memórias seriam as desta guerra no Iraque e as de muitas outras em que Rumsfeld disse, ouviu e fez alguma coisa.
Mas também aguardo, se Deus me der saúde e o SNS também, pelos primeiros livros de história sobre a III Guerra do Golfo (2003-????). Lá para 2036. É que sempre apreciei a perspectiva.

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