quinta-feira, novembro 09, 2006

José Bono

Quatro ou cinco dias depois de George W. Bush se ter congratulado com a condenação à morte de Saddam Hussein, José Bono, ex. ministro da Defesa do chefe de Governo Zapatero, veio dizer que lamentava que o terrorista da ETA, Juana Chaos, novamente em greve de fome, não a tivesse realizado há mais tempo e, consequentemente, morrido antes de assassinar, segundo se estima, uns vinte e cinco cidadãos espanhóis. Simpatizo com as palavras de Bono, como percebo as de George W. Bush. Mas além disso, também noto que andamos nós, para o bem ou para o mal, atrás de texanos na América do Norte quando eles estão aqui ao lado, com tomates, na bela, imensa e imperial Castela.
Por outro lado, e para o que der e vier, será melhor que ninguém pense que os elogios de Bono a Zapatero, que também podem ser lidos na notícia do El Mundo, são para levar a sério. Bono constitui, e constituiu-se, ao pedir para sair do Governo, numa espécie de reserva política e moral do PSOE e da política espanhola. E saltará para a ribalta para se desfazer daquilo que reste de Zapatero no dia em que a impossibilidade da paz com o terrorismo basco se torne uma evidência ainda maior. Nessa altura, no PSOE, como numa boa parte de Espanha, Zapatero e o zapaterismo entrarão para o caixote do lixo da história e ninguém quererá saber mais nada destes tempos tristes e humilhantes que Espanha e os espanhóis vivem desde que os terroristas islâmicos no 11-M fizeram o resultado das eleições num país democrático.

3 Comments:

Anonymous Anónimo disse...

É verdade que só num país que vive tempos tristes e humilhantes se possa condenar alguém a 12 anos e 7 meses de prisão por escrever artigos de opinião. Não entendo como ainda não tomaram medidas contra o que escreve o ex-terrorista Pio Moa.

Mas este mês surgiu ainda esta notícia fantástica:

juicio
El grupo 'Soziedad Alkoholika' niega enaltecer a ETA y humillar a las víctimas del terrorismo en sus canciones
La fiscal pide que se les condene a un año y medio de prisión por haber "indicios" de enaltecimiento del terrorismo

http://www.elcorreogallego.es/index.php?idMenu=22&idNoticia=99989


Ainda me lembto quando Fermín Muguruza teve de cancelar os concertos de Madrid em 2004. A constante perseguição a bandas como Soziedad Alkoholika (entre eles e o Muguruza suspenderam, só em 2004, mais de 50 concertos), ao Urko, aos navarros Berri Txarrak e a La Polla Records (uma das bandas míticas do punk espanhol) pela AVT é absolutamente lamentável.


Sobre o futuro do Bono, é verdade que na política espanhola tudo é possível, mas sinceramente de corruptos já está o país cheio. Espero que mais tarde ou mais cedo se descubra toda a verdade da aprovação do projecto urbanístico El Quiñon em Seseña (Toledo).


"os terroristas islâmicos no 11-M fizeram o resultado das eleições num país democrático."

Muito sinceramente não entendo como uma pessoa inteligente como o Fernando escreve uma coisa destas. Quem fez o resultado das eleições foi conjunto dos votos dos espanhóis. É verdade que muitos deles decidiram mudar a orientação dos seus votos pelo atentado, mas não é menos verdade que a tentativa absolutamente ridícula de culpar a ETA a qualquer custo (a condena urgente por parte do Conselho de Segurança, o envio de cartas a todos o embaixadores com instruções para culpar a ETA, etc, etc) também ajudou e muito a essa mudança.

Para terminar é bom recordar este pedido de desculpa:

MATANZA EN MADRID
España se excusa ante la ONU por forzar la condena a ETA tras los atentados del 11-M Añadir a Mi carpeta
Inocencio Arias envía una carta en la que "lamenta" haber presionado al Consejo de Seguridad

http://www.elpais.es/articulo/elpporesp/20040403elpepunac_7/Tes/Espa%C3%B1a/excusa/ONU/forzar/condena/ETA/atentados/11-M


Cumprimentos,

2:41 da manhã  
Blogger Fernando Martins disse...

Agradeço os comentários mas como reconhece, ao menos implicitamente, caso não tivesser havido atentados não teria havido derrota do PP. Ou seja, o 11-M condicionou o voto. Não me parece que a censura de que fala, e que sustenta existir em Espanha, seja censura tal como eu a entendo. É uma "censura" exercida sobre pessoas e organizações e pessoas que sustentam, apoiam, o terrorismo. Se, por exemplo, não houvesse terrorismo em Espanha não haveria certamente a censura de que me fala. Quanto ao facto de Bono ser corrupto, é verdade que tudo parece indicar que sim, mas em Espanha essa uma realidade que afecta toda a classe política. Veja-se debaixo das pedras e está lá quase toda a gente, ou toda a gente que se conhece e quem se fez favores, ou nos fez favores a nós. De qualquer modo, Bono é, ainda, apenas suspeito. É um demagogo e um "nacionalista" castelhano um tanto ridículo. Mas no estado a que Espanha chegou politicamente, Bono parece poder ter a sua oportunidade - mais cedo ou mais tarde.
Um abraço.

8:59 da manhã  
Blogger Joao Pereira disse...

Em Espanha tudo é possível e parece-me muito pertinente essa reserva do PSOE para o caso de tudo dar para o torto.

A Espanha várias vezes na história deu tiros no pé. A retirada do Iraque pelo PSOE condicionada pelas eleições do 11 de Março (eu sei que foram 4 dias depois...), foi mais um dos tiros do pé de Espanha em termos de politica geo-estratégica que desde a Guerra da Sucessão Espanhola não acerta uma.

Se bem se recordam naqueles tempos já se falava em colocar a Espanha no G8, e mais importante que isso, mudar a sede da NATO de Bruxelas para Madrid.

Felizmente ainda teremos a possibilidade de assistir ao desagregar da Espanha de forma pacifica (espero!)

12:00 da tarde  

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