quarta-feira, novembro 08, 2006

Mistérios da América

No Insurgente e no Blasfémias não se percebe como é que há quem pense que a derrota eleitoral esmagadora dos Republicanos teve algo a ver com Bush e o Iraque.
Afinal, o republicano moderado Lincoln Chaffee até se opunha a ambos, e ainda assim perdeu a eleição! Realmente é um mistério aparentemente insolúvel, porque Chaffee continua a ser muito popular num Estado praticamente fundado pela sua família. Aliás, nesse estado muito liberal de Rhode Island, o seu opositor disse muitas coisas simpáticas sobre Chaffee. Talvez a chave do mistério esteja no facto de que acrescentava sempre que o facto de ele ser uma pessoa óptima era irrelevante, porque fazia parte do grupo parlamentar Republicano no Senado, e portanto a sua reeleição iria ajudar a manter no poder as pessoas erradas: Bush e os Republicanos.
A impopularidade de Bush e dos Republicanos deve-se a muitos casos escabrosos e a muitas políticas desastrosas, e não apenas ao Iraque. Eles vão desde a corrupção do líder do grupo parlamentar republicano, Tom de Lay, que foi forçado a demitir-se há uns meses atrás; até acusações de assédio sexual de paquetes menores por um congressista republicano, passando pelo deficit. Mas afirmar que uma guerra no Iraque que era suposto ter sido ganha em 2003 não tem nada a ver com o assunto é o equivalente, hoje, de pensar, há uns anitos atrás, que o Iraque iria acolher os libertadores norte-americanos de braços abertos. É uma forma de cegueira ideológica. Não é por caso que, não só a imprensa portuguesa, mas boa parte da imprensa norte-americana de referência, via ontem, antes de saber o resultado, como vê hoje, nestas eleições como um referendo a Bush e às suas principais políticas. E a pressão que ele vai sofrer para mudar de rumo - de Congressistas Democratas e Republicanos - irá demonstrar isso mesmo. Se mudará ou não depende dele, claro, de até que ponto será capaz, ou será forçado a tirar os seus óculos escuros ideológicos.
Aliás nas sondagens citadas em defesa desse argumento, a corrupção surge apenas como ligeiramente mais importante do que Iraque. E dificilmente alguém quererá aparecer como desculpando os abusos Republicanos. Além disso não vi nenhuma alusão aos escândalos sexuais a que os blasfemos e insurgentes parecem dar tanta importância.

Mas, estou de acordo com o Luciano Amaral: não há uma só América, boa ou má. Durante anos combati esse maniqueísmo tão querido de pró e anti-americanos primários. Espero que ele se engane e que estas eleições não sejam mais uma vez lidas da forma simplista tão típica da caricatura dos EUA para uso interno na política à portuguesa.

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