terça-feira, novembro 14, 2006

Eleições Americanas e Iraque (encore more sites)

Quem quiser ler (ainda mais) textos meus sobre o impacto das eleições americanas pode ver este no sítio do IEEI. As boas notícias é que há mais por onde escolher... Quem quiser ler o controverso relatório de 2004 do grupo de trabalho do CFR co-dirigido pelo novo responsável da defesa, Robert Gates, a que faço referência nesse texto, eis Iran : Time for a New Approach. (O sítio Council on Foreign Relations tem aliás sempre muita informação a respeito destas questões. E o número mais recente da Foreign Affairs por eles publicado tem um artigo interessante sobre o papel internacional do Congresso).

Mas a respeito do impacto externo das eleições americanas e das opções disponíveis vale mais a pena ler o discurso de ontem de Tony Blair, voltando a colocar a questão da Palestina em cima da mesa.
Quem quiser ter uma ideia do tipo de alternativas - quase boas, más e feias - que estão a ser discutidas nos EUA relativamente à guerra de guerrilhas no Iraque vale a pena ler este paper recente de Anthony Cordesman, Options for Iraq : The Almost Good, the Bad, and the Ugly. Cordesman é um veterano do Pentágono e um dos melhores analistas militares americanos. E há ainda o site do próprio Iraq Study Group, com quem Bush e Blair se acabaram de reunir, e em que se percebe que não andam muito longe dessas conclusões.
Em 2003 não faltava quem previsse que os críticos da guerra se iriam arrepender amargamente de não reconhecerem o génio de Bush e companhia. É fácil imaginar o que teria sucedido se essas previsões se concretizassem. Agora parece que quem avisou do desastre pendente e o tentou prevenir é que tem de arranjar uma saída para ele. Pensando bem, é injusto, mas faz sentido. Afinal, os críticos da política externa e de defesa dos EUA nos últimos anos - como Robert Gates - mostraram que sabiam do que falavam. Só não esperem milagras. Mas reflectindo melhor isso é pedir demais aos bushistas. Eles estão sempre há espera de milagres! Foi assim em 2003 e é assim agora!

4 Comments:

Blogger MP-S disse...

"ler o discurso de ontem de Tony Blair, voltando a colocar a questão da Palestina em cima da mesa."

Nao me pareceu grande coisa. E' facil concordar com quase tudo o que Blair disse - de tao triviais as ideias que ele apresentou.

A Palestina no centro do puzzle, certo, mas o que propoe o sr. Blair? Nada de muito concreto.

Continuo com a esperanca de ver surgir um plano serio para a viabilizacao da Palestina como Estado independente com viabilidade politica e economica. Uma especie de plano Marshall adaptado 'as realidades da regiao, uma oferta generosa que funcione verdadeiramente como uma pressao eficaz sobre os governos da regiao, que considere os interesses da populcacao como a grande prioridade. So' assim se poderia modificar a dinamica politica, tirar o poder de atraccao aos movimentos islamicos radicais. Do ponto de vista economico, o desafio esta' ao alcance dos EUA e da UE; do ponto de vista politico, os EUA teem capacidade de levar Isreael a cooperar num plano desses; a UE tem a capacidade de levar os palestinianos a cooperar. O ponto mais delicado e' mesmo cultural: conseguir perguntar 'a populacao palestiniana que apoio economico, logistico, humano, tecnico mnecessitam para construir o seu pais. Sem ser paternalismo.

3:24 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

Caro Bruno. Será que não vês as contradições da tua argumentação? E já agora imagina que as intervenções no Kosovo ou na Bósnia tinham corrido mal? Presumindo, claro, do ponto vista de quem lá está, que correram bem. Na qualidade de defensor a outrance da intervenção - que foste e és - onde estarias agora? No mesmo caixote do lixo para envias Bush e os seus no-conservadores. Parece-te, por exemplo, que quem engendrou a invasão é ignorante acerca do Médio Oriente e do Iraque? Além disso, e tendo as coisas corrido mal no Iraque, gostava de saber o que é que adianta andar aí de peito cheio a dizer: "estão a ver, sou muito esperto, muito inteligente e nada modesto." Não te ocorre que no Iraque a difrença entre o péssimo e o óptimo foi pouco mais do que uma questão de pormenor. Nada estava pré-definido. É o mesmo que estar a dizer a Churchill - entre 1940 e 1942 - "estás a ver, és uma besta, bem te disse para ires para a guerra com a Alemanha, a Itália e o Japão.!" Além disso, em vésperas da guerra ninguém dizia - nem sequer a extrema-esquerda - que as coisas iam correr como estão correr. Excepto tu, claro! Finalmente, presumo que deves estar felícissimo por pensares que a Síria e o Irão vão ter uma palavra a dizer sobre o futuro do Iraque - como gente decente e não como apoiantes do terrorismo em todo o Médio Oriente. Depois disso toda a região ficará muito mais pacífica e segura. Verdade?

7:38 da tarde  
Blogger bruno cardoso reis disse...

Caro ms-p obrigado pelo seu comentário. O mais difícil é sempre fazer, mas nos últimos anos nem sequer se tem tentado. E creio que há uma série de sinais positivos, entre os quais as mudanças de governo na Palestina e nos EUA.

Quanto ao meu amigo Fernando Martins.

Não, ao contrário do que pensas, estou muito triste por ter acertado nas minhas previsões sobre a desgraça que se preparava.

Não, infelizmente não fui o único "génio" a fazer essas previsões (embora em Portugal fossem realmente poucos e com pouco espaço nos jornais). Aliás, houve muito poucos especialista em relações internacionais ou em estratégia ou no Médio Oriente ou no Iraque, nos EUA ou na Inglaterra, que não se tivessem oposto à ocupação e previsto este tipo de problemas. A começar pelo CEME General Shinseki que foi publicamente humilhado e desmentido por Rumsfeld e Comp. por dizer no Congresso, em resposta a perguntas insistentes do senador democrata Carl Levin que seriam precisas centenas de milhares de tropas no Iraque para a fase de pacificação (qualquer estudante básico de estratégia diria o mesmo). Políticos conservadores várioas afinaram pelo mesmo diapasão. Christ Patten duvidou que fosse boa ideia combater o terrorismo bombardeando Bagdade. Nos EUA, Brent Scowcroft (que era tão próximo do Bush pai que até escreveram as memórias em conjunto), que entrevistei para minha tese em Abril de 2003 (quando parecia que a invasão estava a correr bem), disse-me: estes tipos estão a meter-se alegremente in a can of worms de que não têm ideia! Eles queixavam-se da Jugoslávia, vão ver que o Iraque é dez vezes pior!!

Mas ele e muitos outros eram na altura apelidados pelos bushistas de inimigos da democracia, racistas que não acreditavam que um regime democrático estava pronto a brotar espontaneamente em cada canto da terra. Que esses argumentos idiotas não tenham hoje onde cair mortos, disso não tenho pena.

Na Bósnia e no Kosovo havia um genocídio em curso, portanto por muito questionável e custosa que fosse a intervenção militar (é sempre) era incontestável. No Iraque está agora a caminhar-se cada vez mais para a guerra civil e a limpeza étnica.

A Síria e o Irão são países com interesses legítimos, e o direito a ter uma palavra a dizer na região onde vivem, independentemente do seu regime, mas no respeito pelo direito internacional (o tal que o Bush e Sharon queriam deitar para o lixo).

E consideras o Khadaffi ou o rei saudita Abdullah, com que os EUA mantêm relações cordiais, muito melhores do que a Síria? Eu não, e considero-os piores do que o Irão que é um regime de pluralismo limitado.

Salam Alaikum!

1:09 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

do que me interessa as eleições americanas, esta deveria ser uma indagação que deveria ser feita por cada brasileiro, afinal, eles, ianques, são uma potência em franca decadência e são incapazes de impdir uma nova realidade que se aproxima com o BRICS ( o "B" do BRICS é do Brasil)!

3:28 da manhã  

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