sábado, outubro 21, 2006

Post 600!

Bruno, se achas que foram felizes as declarações de Jorge Pedreira, estás no teu direito. De qualquer modo, quero recordar-te que Jorge Pedreira foi um lúcido dirigente do ainda vivo Sindicato dos Professores do Ensino Superior, sendo que na altura usava linguagem exactamente idêntica àquela que tu Bruno, agora e sempre, não gostas de ver na boca da generalidade dos dirigentes sindicais. Recordo igualmente que quando Durão Barroso assumiu a chefia do governo, Jorge Pedreira andou a percorrer várias capelinhas oferecendo-se insistentemente para dirigir a Biblioteca Nacional – a coisa transpirou para os jornais e Eduardo Prado Coelho fez-se o mais militante dos seus apoiantes nas colunas do Público. Meses antes Jorge Pedreira fora secretário de estado da Educação no último e saudoso governo de António Guterres. Estamos por isso esclarecidos quanto ao carácter da personagem e às suas excepcionais qualidades políticas.
Quanto à tua tese de que ou bem que temos Sócrates e este governo ou o caos, devo dizer-te que a acho absolutamente original. Aliás, a bondade deste governo está patente em tudo, mas em particular na sua (in)capacidade para travar a despesa pública em termos absolutos e na total (in)disponibilidade revelada para pôr fim ao aumento de impostos. A natureza do estado português está realmente cada vez mais irreconhecível. Vamos ver onde é que a coisa pára. Porque vai parar. Resta saber como e quando.
P.S.: Quis o acaso que este fosse o post 600 do amigo do povo. Quem diria?

7 Comments:

Anonymous Anónimo disse...

"a bondade deste governo está patente em tudo, mas em particular na sua (in)capacidade para travar a despesa pública"

O Fernando certamente percebe que, para travar a despesa pública, como seria e é exigível, este governo, ou qualquer outro, teria que fazer reformas muito mais brutais, e muito mais dolorosas, e muito mais desrespeitadoras dos direitos adquiridos, do que aquelas que tem andado a fazer.

Criticar as reformas que este governo tem andado a fazer e, ao mesmo tempo, exigir que ele trave a despesa pública, é contraditório.

Luís Lavoura

5:08 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

Luís Lavoura,
No que é que se baseia para afirmar que as reformas deste Governo têm reduzido a despesa pública? Ficava muito mais descansado se isso, de facto, acontecesse.

10:33 da tarde  
Anonymous António Bastos disse...

O problema da despesa pública é, acima de tudo, político é a crise de um modelo: o estado laico à francesa que é consubstancial ao próprio regime. Pensar que é possível manter o regime e diminuir a despesa pública é pura utopia como a realidade dos sucessivos governos o tem demonstrado. O regime é estruturalmente incapaz de se reformar. Reforma-lo é destrui-lo. Temos que mudar de regime, um regime que se baseie no principio da subsidiariedade e não jacobino e, por isso, centralizador.

1:48 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

"No que é que se baseia para afirmar que as reformas deste Governo têm reduzido a despesa pública?"

Eu não afirmei isso. Onde é que Você vê isso escrito por mim? O que afirmei é que, para reduzir a despesa pública, um governo (este ou qualquer outro) teria que fazer reformas muito mais brutais, e muito mais desrespeitadoras de direitos adquiridos, do que aquelas que tem andado a fazer. E que a resposta negativa da população seria, evidentemente, muito maior.

Será que Você não sabe ler? Ou que só lê as entrelinhas, não lê as linhas?

Luís Lavoura

10:22 da manhã  
Blogger bruno cardoso reis disse...

Tudo isso, Fernando, são acidentes e questões pessoais que não me interessam. Eu não me movo em política pelo angelismo e menos ainda por virtudes pessoais. O que é que interessava que Salazar ou o Cunhal fossem ambos pessoas honestas, cheias de convicções e dedicadas ao bem público?

Basta-me, em política, o mal menor. Neste caso o governo Sócrates excedeu as minhas expectativas quanto à capacidade de fazer muitas reformas difíceis, algumas inadiáveis e outras importantes. Portanto, mesmo que critique detalhes, não deixarei de apoiar o governo enquanto continuar a esforçar-se para tentar colocar o país num caminho melhor do que o anterior.

E sobretudo enquanto as oposições forem o que são. Subscrevo inteiramente observações do Luís Lavoura, e foi aliás nesse sentido que escrevi o poste anterior. Claro que se pode fazer reformas mais brutais. Mas o ponto é que PSD não as fez antes. E que se as vier a fazer vai ter de abalar muito mais os corações e as bolsas. Pretender o contrário não é sério.

8:02 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

"Pretender o contrário não é sério." Bruno, mas a "seriedade" interessa em política? Vamos lá ver se não nos contradizemos muito. Por outro lado, se achas que ser canalha em política não interessa nunca perceberás o "divórcio" permanente entre o "povo" e os "políticos" que normalmente não acaba bem. Finalmente, e se me permites, acho absolutamente peregrina essa ideia de que é possível e até desejável fazer política sem princípios, sem ética e sem moral. Uma coisa assim só se costuma praticar descaradamente em regimes autoritários. Mas tu lá sabes. Achas que ganhas em maturidade intelectual e lucidez política proclamar e praticar a indiferença em relação a "valores" fixando-te apenas nos resultados. Ora política é muito mais do que isso. Política não é politiquice, embora seja com ela que estamos habituados a conviver. Peço desculpa pela ingenuidade.

10:56 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

Só mais uma coisa. A canalhice que transborda nas declarações de Jorge Pedreira, como outras atitudes suas de político tomadas anteriormente, produziram péssimos resultados políticos. Não fosse canalha e teria sido bem mais eficaz politicamente. Ou não?

10:58 da tarde  

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