quinta-feira, setembro 28, 2006

Lula: o amigo do povo brasileiro


As eleições mais importantes para o futuro do português no mundo - ou seja, as presidenciais brasileiras - estão à porta. (A evolução das sondagens pode ser acompanhada com as margens de erro do costume aqui).
Concordo com 95% (calculados à pressa) deste texto do Pedro Magalhães publicado no Público e n'A Praia. Mas tenho dúvidas sobre um ponto crucial: "No Brasil, contudo, nada é tão urgente e imperativo como reformar um sistema eleitoral e de governo cujo funcionamento é um convite à corrupção, ao clientelismo e à irracionalidade na alocação dos recursos. Sem ela, as profecias de colapso podem vir a pecar apenas por atraso."

Claro que isso seria ideal, mas duvido que seja fazível. Parece-me pouco realista esperar que antes de existir uma alteração significativa na sociedade brasileira – na enorme disparidade de educação e de riqueza – seja realista esperar mais do que melhorias muito graduais do sistema político. Aliás, é um milagre da consciência social de alguma burguesia e da sofisticação económica dos pobres que tenham surgido presidentes como Lula e Cardoso. Prova que ainda há burgueses que percebem que tanta pobreza está mal (e lhes faz mal). Prova de que há pobres que percebem aquilo que os esquerdistas histéricos não conseguem: a instabilidade económica prejudica-os bem mais do que aos privilegiados (sobretudo os especuladores politicamente favorecidos). Sendo que a direita anti-Lula também ainda não percebeu que é realmente melhor ensinar um pobre a pescar do que dar-lhe um peixe, mas se ele estiver com fome é capaz de ser difícil ensinar-lhe o que quer que seja.
Por isso, não consigo deixar de sentir uma certa indulgência (culpada) pelos escândalos de corrupção do PT. É uma espécie de variante com consciência social do: é corrupto mas faz! Neste caso não se trata de ser comprado e fazer, mas sim de comprar outros para se poder fazer alguma coisa. Não é isso, no fundo, consequência de o PT ter adoptado uma política gradualista e não a via da revolução (em que podia ter atirado com todos os corruptos para cadeia)?

PS - É verdade que o PT colhe nesta tempestade os frutos do moralismo semeado durante anos: político que não era do PT era bandido até prova em contrário. E é verdade que a corrupção tem custos, mas num país em que se desperdiça tanto por más causas...

2 Comments:

Blogger Fernando Martins disse...

Bem parecia que Lula e o PT eram vítimas de qualquer coisa, excepto deles próprios. Não é?

10:27 da tarde  
Blogger Alexandre Monteiro disse...

O PT ressuscitou a teoria do «rouba mas faz» do velho populista Adhemar de Barros. Neste post o Bruno fala em «comprar outros para se poder fazer alguma coisa», uma ideia que alguns envergonhados petistas têm procurado sustentar.

Mesmo a ser verdadeira - que não é - já seria suficientemente grave acreditar que através da corrupção generalizada se pode atingir o bem.

Acontece que o enriquecimento súbito de algumas das estrelas do PT (a começar pelo próprio filho de Lula), desmentem por completo esta tese, posta a circular pelos principais assessores de marketing do Presidente.

O que o PT fez no Brasil, foi montar uma gigantesca rede e corrupção, que atingiu em maior ou menor grau, a quase totalidade dos órgãos do Estado.

Mesmo num país com corrupção endémica, coseguiu bater todos os recordes, transformando tristes figuras como Collor de Melo, Paulo Maluf e Orestes Quércia, em meros aprendizes na «arte» do desvio de fundos públicos.

Cumprimentos

9:45 da tarde  

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