quinta-feira, abril 20, 2006

O presente e o futuro de Portugal: economia e política

O que parece faltar neste poste do Fernando ou no texto de Sérgio Figueiredo para o qual ele remete é algum princípio de real solução prática para a crise. A qual é financeira mas também económica e estrutural.
O editorialista do Jornal de Negócios quer uma nova liberdade económica para os que produzem. Mas o que é isto significa na prática? Despedimentos na função pública? Alguém acredita que a crise melhoraria, em vez de se agravar, com isso? Ou será de continuar a apostar e aperfeiçoar as reformas que o governo tem introduzido. Toda a gente a pagar menos impostos? Radicalmente menos impostos para empresas novas, e sobretudo em determinados sectores definidos como prioritários? Se a primeira possibilidade me parece impossível. A segunda poderá ser inevitável: Portugal precisa de mais investimento para crescer, e precisa de desenvolver de forma sustentada determinados sectores para evitar o espectro constante da deslocalização. Mas qual será o impacto disto no equilíbrio do orçamento? Alguém sabe? Alguém nos jornais, na sociedade civil, nas associações empresariais fez a contas para convencer o governo? Não está isto, em parte, já a ser feito?

Aquilo que alguns comentadores ainda parecem não ter percebido, nomeadamente nas críticas à falta de eficácia política de Marques Mendes - que mais parecem ser um apelo a uma oposição de direita destrutiva - é que se este governo cair antes do tempo e se não conseguir minimamente resolver os problemas que enfrentamos, a missão de qualquer um que lhe suceda será ainda mais complicada e a situação do país muito grave.
Não será tempo de analistas e actores políticos perceberem que não estamos a viver tempos de politiquice como de costume? Admito que possa haver uma perigosa tendência do governo para adoptar um postura defensiva: mas onde estão as alternativas constructivas?
Não será tempo de a dita sociedade civil, a começar pelos sindicatos e empresários, por sectores de actividade se forem capazes de se organizar para tanto, proporem as reformas ou as parecerias com o Estado necessárias para melhor a sua eficiência, capacidade tecnológica, marketing e design, capacidade de exportação, em vez de se entreterem a reclamar mais salários ou mais subsídios? A crise não é um problema para o governo resolver. É uma ameaça que devia responsabilizar todos.
PS - Desse ponto de vista esta iniciativa do Kontratempos parece-me exemplar. Mas o mesmo esforço de diagnóstico e melhoria devia ser feito também no sector privado. A crise, repito, não é assunto (apenas) do governo, é um problema de (des)organização geral.
PPS - Este outro texto sobre as desventuras de uma pequena empresária em Portugal é o perfeito exemplo do que está mal no país. As pequenas empresas inovadoras são um mecanismo essencial de modernização da economia - a Microsoft começou numa garagem - e de criação de emprego. Em Portugal ficam paralisadas pelos calotes e pela irresponsabilidade geral. Não há eficiência nem (mais) liberdade se o Estado tiver de andar a fiscalizar cada trabalhador e a cobrar cada dívida pendente.

1 Comments:

Blogger Luís Aguiar Santos disse...

Independentemente do que se "sabe" ou não, uma coisa é certa: a despesa pública tem de descer. E muito.

6:43 da tarde  

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