segunda-feira, maio 28, 2007

Cenas de Natureza Sexual

Descobri Cenas de Natureza Sexual apenas porque o filme estava em exibição próximo de minha casa. Ainda bem que às vezes vou ao cinema só como um pretexto para desentorpecer as pernas. Esta primeira obra de Edward Blum parece ter passado despercebida à crítica portuguesa. Mas é refrescante face à avalanche de blockbusters de Hollywood e à pesada artilharia do cinema europeu de pretensões intelectuais.
É uma comédia dramática de baixo orçamento. Em apenas seis semanas escreveu-se o guião, arranjaram-se os capitais e os actores, alguns grandes vedetas que trocaram um salário chorudo por uma percentagem nas receitas. Toda a acção se passa numa tarde, num parque de Londres, o Hampstead Heath. Sete casais encontram-se, reencontram-se, discutem, reconciliam-se ou nem por isso. As forças que os separam são, regra geral, mais fortes do que aquelas que os unem. Isto do ponto de vista deles, porque para o espectador todas as histórias parecem ligadas por fios invisíveis e o parque ou o sol também podem ser encarados como personagens puxando os fios ou entretendo-se com as reacções dos seres humanos.
O resultado é um filme leve sem ligeireza, minimalista sem abstracções, servido por excelentes diálogos, cujas deixas aproveitam quer a grandes actores, quer ao espectador para compreender outras histórias do mesmo mosaico. O célebre humor britânico é aqui manejado em todas as suas gradações, desde a mais subtil ironia até ao mais feroz sarcasmo.

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