domingo, dezembro 03, 2006

Conveniências.

Não tenho, ao contrário de muito boa gente, qualquer posição sobre se a Turquia deve, ou não, ser admitida na União Europeia. Parece-me, no entanto, que caso venha ser “admitida”, tal deve suceder por se revelar ser bom, já nem digo óptimo, para a União Europeia, e não pelo facto dos turcos ficarem muito aborrecidos ou, simplesmente, amuados. A União Europeia atravessa, se não uma crise, ao menos um impasse. E nada podia ser pior para a União e para a própria Turquia do que aceitar um novo Estado membro – e a Turquia não é um Estado qualquer – que agravasse esse impasse transformando-o numa crise de proporções inimagináveis que poderiam destruir a União e maçar, muitíssimo, a Turquia, os turcos e os muçulmanos (presumindo que os muçulmanos não turcos torcem pela admissão da Turquia). Por isso, neste texto de Pedro Lomba, publicado ontem no Diário de Notícias, não vejo mais do que boa vontade. Ora encontrar uma solução para os problemas da União e da Turquia, que nem sempre se confundem, exige muito mais. E já agora, recordar que, e não apenas a Pedro Lomba, por mais que nos custe, a agenda da União não é a da Santa Sé, e a agenda dos vários líderes europeus e os interesses dos cidadãos da União e da Turquia não devem ser confundidos com as conveniências de Bento XVI (ou será de Ratzinger?).

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