terça-feira, novembro 28, 2006

Plágio, Blogues, Made in Britain


É uma coincidência curiosa que os meios literários londrinos se vejam animados por dois temas bem semelhantes a recentes debates portugueses. Bom sinal? Mau sinal? Sinal talvez de que plus ça change...

O primeiro desses debates diz respeito a uma acusação de plágio a Ian McEwan. Na escrita de Atonement ele teria plagiado um texto duma escritora de bestsellers de médicos e hospitais (também não sabia que existiam!) recentemente falecida. A defesa de McEwan neste texto no Guardian é muito semelhante à de Miguel Sousa Tavares: não copiei, limitei-me a procurar boas fontes, para as quais aliás chamei a atenção. Tal como sucedeu com Sousa Tavares, vários críticos têm reconhecido que McEwan é justamente conhecido por fazer trabalho de casa, e portanto o facto de se basear (mas não copiar) relatos testemunhais não poderá desapontar os seus leitores devotados. E há até quem retome o argumento já usado neste blogue pelo amigo João Almeida: roubar sempre se roubou em arte, com mais ou menos talento (o efectivo plágio até nisso falha porque é preguiçoso, distraído ou mal intencionado ao fazer cópia fiel ou mal disfarçada). Um bom exemplo é Shakespeare (que melhorou muito os “originais”). Sendo que aqui há um detalhe (talvez) importante: no tempo do Bardo não havia direitos de autor para ninguém.

A segunda polémica diz respeito ao dos blogues e à suposta propensão dos mesmos para fazerem uma crítica destrutiva (e mal escrita) das artes em particular e do Mundo em geral. A questão é resumida, e a defesa dos bloguerati divertidamente assumida aqui, talvez não por acaso no blogue de artes do Guardian. Mais um belo exemplo de como a imprensa pode (saber) aproveitar esta onda da blogosfera.

3 Comments:

Anonymous Anónimo disse...

Sobre Shakespeare e os direitos de autor recomendo este interessante artigo da NPR:

Arts & Culture
Could Shakespeare Survive in Hollywood?
by Elizabeth Blair

http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=6492156

12:58 da manhã  
Anonymous R. Casanova disse...

Independentemente das particularidades dos dois casos (e não acompanhei tão de perto o caso "Equador") acho que as diferenças são mais interessantes que as semelhanças:

1. a acusação foi feita às claras, num jornal nacional, o Mail on Sunday, e a peça vinha assinada com o nome da autora (Julia Langford);
2. aposto o meu subsídio de Natal em como Ian McEwan não vai aparecer na capa do The Sun a oferecer pauladas à senhora Julia Langford.

2:58 da manhã  
Blogger bruno cardoso reis disse...

Realmente há algumas diferenças; bem engraçado o texto sobre o Bardo e Hollywood.

2:46 da tarde  

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