quarta-feira, junho 28, 2006

Não podia esperar mais um bocadinho?


A política das pseudo causas está de volta! Ou será que só querem ganhar pelo cansaço ou apanhar os adversários distraídos? Tenho para mim que é um frete que a esquerda radical - sem saber - vai fazer a Sócrates. Discute-se a despenalização do aborto, decide-se o que houver que decidir e, no fim, fica tudo na mesma porque o nosso sistema de saúde - por várias razões - jamais suportará a legalização da interrupção voluntária da gravidez nos termos em que uma minoria absoluta de portugueses a propõe. Pelo meio, o governo poderá mutiplicar até ao infinito medidas absurdas como esta e permitir que os portugueses continuem a aceitar a total desorientação existente em matéria de política económica e de política orçamental.

5 Comments:

Blogger Luís Aguiar Santos disse...

Ó Fernando, tu importas-te de dizer como orientarias EXACTAMENTE a política económica e orçamental? Vá, mas sem seres ideológico...! :)

4:18 da tarde  
Blogger Manoel das Couves disse...

Desde que a seguir apresentem propostas de Referendo em relação à legalização dos casamentos homossexuais e das relações poligâmicas, estou de acordo com resolução da questão do aborto através de Referendo.

Ou, quando chegar o momento de decidir acerca de casamentos entre indivíduos do mesmo sexo, não vai haver referendo?

E podiam fazer também um referendo acerca do TGV e do Aeroporto da Ota, outro sobre a proibição de fumar nos restaurantes, outro para decidir se os portugueses querem receber menos dinheiro de Reforma, outro sobre... outro...

Expliquem-me lá - como se eu fosse muito, muito, muito burro - se nem a adesão de Portugal à CEE nem a Constituição da República (na sua versão original ou mas subsequentes revisões) foram sujeitas a Referendo, porque carga de água a Regionalização e o Aborto têm de ser referendados?

Náo somos ouvidos nem achados nos alicerces mas querem a nossa opinião sobre o telhado?

Manuel F. Ribeiro
AbaNação

2:05 da manhã  
Anonymous Nosferatus disse...

Gostaria de comentar a primeira parte deste post. A questão do aborto interessa-me. Mas para poder fazê-lo queria que me esclarecesses a tua seguinte citação "...fica tudo na mesma porque o nosso sistema de saúde - por várias razões - jamais suportará a legalização da interrupção voluntária da gravidez...". Agradeço mais desenvolvimentos sobre quais as razões. Obrigado.

3:02 da manhã  
Blogger Fernando Martins disse...

Nosferatus,
O que eu quero dizer, muito resumidamente, é que o SNS não tem recursos humanos, técnicos ou financeiros para fazer aguentar o impacto da legalização do aborto nos termos em que são propostos pelos seus defensores. Além disso, à falta de recursos humanos "normal" que afecta o sistema há que juntar os médicos, enfermeiros e outros agentes do SNS que invocarão a objecção de consciência para não fazerem "IVG's".
P.S.: E não vale dizer que os abortos clandestinos custam muito ao SNS. É verdade e já estou a contar com eles no actual rol de despesas a abater com a legalização. No entanto, e só paara recordar, deve ter-se sempre presente que a legalização do aborto não acabará com o aborto clandestino - provavelmente sucederá o contrário - e que o n.º de mulheres a procurar o aborto para uma gravidez não desejada aumentará certamente de modo significativo nos primeiros anos pós-legalização.

1:18 da tarde  
Anonymous Nosferatus disse...

Caro Fernando,

Afinal as várias razões que referias para que o nosso SNS não fosse capaz de suportar a despenalização da IVG resumem-se, segundo a tua argumentação a apenas duas: a falta de recursos humanos, técnicos e financeiros e a invocação da objecção de consciência por parte dos profissionais.

Poderei rapidamente concluir que a montanha ("várias razões") pariu um rato (são só duas e nenhuma delas é válida e consequente).

Em primeiro lugar referir que o que se discute, tal como apenas referes uma vez no post inicial é a despenalização e não a legalização, como referes depois e sucessivamente.

O que se discute é que deixem de ir à barra dos tribunais as mulheres que por variadíssimas razões realizaram IVG e não a legalização, para que a IVG funcione como mais um dos muitos métodos contraceptivos.

Mas pelos vistos, situações calamitosas de saúde pública (a clandestinidade e as situações deploráveis em que realizam as IVG em Portugal, com as inegáveis consequências para a saúde das mulheres portuguesas) são para ti preocupações de "uma minoria de portugueses".

Quanto às duas razões que invocas nenhuma delas faz sentido. É certo e reconhecido a grave carência de recursos humanos e financeiros (os técnicos não concordo) que vivem as instituições prestadoras de cuidados de saúde em Portugal, mas se existem para a realização de IVG também existem para os outros cuidados de saúde a prestar à população. Ora, seguindo este prisma, estaremos com isto a considerar deixar de prestar cuidados de saúde à população?

Mais ao menos isto: Não temos condições fechamos a porta e mandamos os utentes embora. Havia de ser bonito.

Quanto à objecção de consciência ela não surge só face à IVG, existem muitos outros cuidados que constituem conflitos ético-deontológicos. E só por isso serão motivo de serem banidos? Será por isto que iremos ilegalizar ou penalizar uma série de cuidados que as pessoas aceitam ou recusam? Era o que mais faltava.

Álias, nos códigos ético-deontológicos das profissões da saúde e bem frisado que o profissional deve antecipadamente referenciar a sua objecção de consciência para que sejam prestados os cuidados exigidos pelos utentes.

Mas pelos vistos na tua opinião a defesa dos direitos reprodutivos das mulheres, o direito a decidir em cada momento da sua vida e a melhoria dos indicadores de saúde no que respeita à saúde reprodutiva mais não são do que um frete que a esquerda radical vai fazer a Sócrates e uma mera preocupação de uma minoria absoluta de portugueses.

Aceito, embora não partilhe, que haja quem discorde da despenalização da IVG, mas se o assumem que o saibam argumentar.

Não aceito, como tu o fizeste, que se apelidem de fretes e de motivações de minorias de portugueses a despenalização da IVG, sem ser capaz de apontar uma razão válida para que essa despenalização não seja considerada.

Pelo fim da vergonha, do medo, da falta de higiene, das complicações pós-aborto clandestino, das mortes inerentes ao mesmo e pelo direito de opção e liberdade das mulheres portuguesas não há falta de recursos nem objecção de consciência que lhe valha.

1:01 da tarde  

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