segunda-feira, janeiro 16, 2006

Ai, estes "amigos" do povo...

Julgo que o João me está a forçar a aumentar a componente política da minha colaboração neste blogue, contradizendo o propósito que anunciei no primeiro post. Mas já estava à espera porque, nas nossas conversas, as minhas ideias se prestam sempre a que me provoquem... Parece-me que o João interpretou mal o meu problema com a palavra "povo". Eu não quis dizer, como ele parece sugerir, que desprezo os Portugueses. Longe disso, porque, no mínimo, me desprezaria a mim mesmo. Do que eu não gosto é da utilização deste termo em política porque se presta a generalizações abusivas como aquela que o João formula ao dizer que o "povo português" saudou entusiasticamente o 25 de Abril (a propósito, não percebi esta de colocar aqui o 25 de Abril em resposta ao que eu escrevi).

Quanto a Hume, o ensaio que eu cito deste autor é inequívoco em defender a monarquia hereditária como uma das três componentes de um bom regime político (que é, ipsis verbis, a doutrina que eu sigo nos "Elementos de Doutrina Neocartista"), pelo que não percebo que o João diga que eu utilizo os argumentos de Hume e não aceite as suas consequências. Se me puderes esclarecer...

Para terminar, a monarquia (constitucional, que é a "minha"), os republicanos e o 5 de Outubro. Caro João, poderia haver muitos barbeiros republicanos, mas o facto é que, com o sufrágio mais alargado do que com a lei eleitoral de 1913, quando o PRP ia a votos não tinha mais deputados (proporcionalmente) do que tem hoje o Bloco de Esquerda. O que terá levado os barbeiros a acharem que só iam lá com um golpe de estado... Bons democratas, como se vê. Que também gritavam "Viva o povo, viva a República". O que não lhes dava razão nem verdadeira legitimidade democrática só por terem as navalhas na mão e a goela bem treinada na gritaria.

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