domingo, janeiro 15, 2006

Ironia iconográfica

A minha participação neste espaço vai ser mais ditada pelo ímpeto da escrita (de querer partilhar algo que tenho para dizer) do que pelo dever da regularidade de colaboração. Embora dependendo do curso que as colaborações dos caros (e cara) comparsas tomarem, tentarei, mesmo assim, nesta minha colaboração, privilegiar questões menos políticas, dado que as mais políticas aparecerão sobretudo aqui e aqui.

Começo com uma objecção de consciência: não gosto do termo "povo". Os colectivos são perigosos em tudo, mas sobretudo na religião e na política. E "povo" é um colectivo que já serviu às sociedades de ordens, ao jacobinismo, ao nacionalismo e aos socialismos quase todos. Desculpem-me a confissão desta alergia liberal.

Mas o que vejo no cabeçalho deste blogue é, apesar disto, tranquilizador. Há uma ironia iconográfica neste cabeçalho que muito me agrada. O Amigo do Povo não é o militante radical (e colectivista) do Sr. Marat, a quem pedimos o nome emprestado, mas Cícero, o grande orador adversário da demagogia de Catilina e defensor da constituição histórica e equilibrada da república romana. Por razões que julgo evidentes, esta ironia é um óptimo começo e faz-me sentir em casa neste O Amigo do Povo.

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