quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Amores de Salazar


A série foi-se e veio-se rapidamente - uma rapidinha. Algo de que a série sugere Salazar também seria devoto. Credível?

Incrível foi ver Felícia Cabrita colocar a hipótese de reclamar plágio e pagamento direitos de autor sobre o seu livro de histórias de amor salazaristas. O dito cujo (livro) teria factos inéditos que a série incluiria. Ora, plágio de enredo só pode existir em obras de ficção – ninguém é dono de factos, por mais inéditos que até então tivessem sido. Portanto Felícia parece querer fazer-nos crer que escreveu - afinal - ficção.

Credível Salazar? Aí concordo com Cabrita: a série sofre do problema inverso do Equador. Enquanto em Equador o personagem principal está credivelmente esgalhado, mas alguns dos secundários falham (não sendo esse o caso de Sousa Tavares, aparentemente fazendo de seu bisavô, o Conde de Mafra, em caçada com D. Carlos). Nos Amores de Salazar os secundários são geralmente bons – gosto especialmente de Cerejeira. Mas o actor principal morre debaixo de cadavérica maquillage. Só faltou mesmo a revelação de que afinal Salazar era drácula e mordia as suas das vítimas feminias. Aliás, um (re)toque que talvez servisse para saltarem as audiências (talvez ainda vá a tempo do filme).

Credíveis os amores de Salazar? Diria que pelo menos pouparem-nos à ideia de um caso carnal com a governanta - D.Maria. Isso salva alguma credibilidade: não creio que ele ou ela gostassem de se ver nesse papel de novela barata, fosse na vida real ou numa série de TV. Quanto ao resto não sei.
Como historiador apenas direi que é claro que Salazar gostava do convívio feminino. As fontes para eventuais relações mais profundas são geralmente indirectas - filhos ou conhecidos das ditas senhoras, que teriam talvez interesse em valorizar-se por essa via. Mas que as senhoras pesavam nele alguma coisa, sobre isso tenho (mais uma) fonte indirecta, mas que considero credível. O embaixador António de Faria, que nunca escondeu a sua simpatia pelo dito , afirmou-me que muito do interesse de Salazar em fazê-lo ir da embaixada junto do Vaticano para Londres derivava do facto de ter prometido o lugar vaticano a um Visconde pai de umas amigas suas...
Todos temos as nossas fraquezas. Nesse caso teria sido Franco Nogueira a vetar a ideia, com o argumento de que em 1968 as relações do Estado Novo com o Vaticano eram demasiado tensas para ficarem entregues a um amador. E assim foi para lá Eduardo Brazão, e as relações continuaram a piorar até ao 25 de Abril. The End.
PS - E para entrar em polémica, não sei se concordo com Deus - que evidentemente se pronunciou sobre o assunto - o poder (dizem) é um grande afrodisíaco.

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