terça-feira, junho 17, 2008

Planos para alianças, parte 2

Dois anónimos, duas realidades.
O anónimo-tipo dá informação irrelevante (e já pública há muito, por exemplo no C. Corporativa), pretendendo invalidar algo (não nomeado) no post. O quê? Foi o PSD que seguiu animadamente os eventos (no CC também havia um link sobre isso para o site do BE, o anónimo nisso não reparou...), ou apenas fez o número habitual de querer uma coisa (polícia) e o seu contrário (negociações)? O anónimo pretende lançar a confusão, mas está na hora de actualizar os seus métodos, aqui no blog já estamos habituados a estas investidas...
Já a anónima que assina Beatriz faz sobressair um problema meu em posts (e não só), ser demasiado breve em explicações.
Respondendo: o primeiro passo para forjar uma aliança com a massa abstencionista é prosseguir nas políticas difíceis, e polémicas, que geram reacção. Só assim, sem recuos de última hora, o abstencionista-tipo deixará de ter a fácil desculpa de tudo ficar sempre na mesma.
O segundo passo, como já defendi em livro, é não depender unicamente de mensagens padronizadas de agências de comunicação. Associações a Zapatero ou Obama não bastam. É necessário politizar o discurso e, sem abdicar da questão da comeptência na execução de políticas públicas, enfatizar a dimensão ideológica na governação: é diferente ter um mnistro da solidsariedade que quer acabar com o Rendimento Mínimo Garantido porque os pobres são ladrões (Bagão) e ter um ministro que o repõe e ainda reequilibra as contas da Segurança Social (Vieira da Silva); é diferente ter um ministro da Educação que destrói a colocação de professores dando-a a uma empresa falida de um colega de partido (David Justino) e ter uma ministra que normaliza a situação e, pela primeira vez, adopta um modelo de colocações trienais de professores. Etc.etc. Estas são diferenças nas opções políticas, capazes de mobilizar eleitores sem prejuízo de argumentação mais tecnocrática.
Por fim, e relacionado com os dois pontos anteriores: não perder tempo com confusões retóricas do género «somar Esquerda à Esquerda». O que importa é somar apoio à Esquerda, trazer para ela quem até aqui se abstém. haverá transferências de votos, de protesto ou de apoio às políticas actuais, mas o sucesso destas parece cada vez mais depender do desbloqueio da inactividade de muitos mais. O agregador tem de ser a Esquerda democrática. A argumentação ideológica tem essa virtude pedagógica: remove as falácias da Direita (a ideologia morreu) e da Esquerda anti-democrática (reformismo é mera gestão do capitalismo, etc.).

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