domingo, agosto 05, 2007

Cultura e especialização

Parece-me que por cultura não devemos entender um conjunto de conhecimentos acumulados por uma pessoa e portanto, não considero culto quem, numa preocupaçãp enciclopédica, se limitou a juntar na memória dados, definições e conceitos sobre os mais variados assuntos. Culto será quem tiver um pensamento bem informado – sem dúvida – mas em que todos os conhecimentos foram bem assimilados e formam um todo coerente e equilibrado, que terá uma concepção do mundo assumida pessoalmente através de toda a vida passada (de leitura, de conversas, de experiências feitas, de testemunhos recebidos, etc) e que orienta os seus passos e opções. Cultura não é, assim, algo neutro que se adiciona à nossa vida mas que, pelo contrário, intervém em todas as decisões, dando-lhes base e unidade.
A cultura é viva e não é uma aquisição lato sensu mas sim uma posição face ao que nos vai acontecer e que os sucessivos acontecimentos vão enriquecendo. Por exemplo, a posição da cultura em relação à profissão não me parece que possa ser correctamente expressa dizendo – como por vezes se ouve – que existe uma oposição ou até mesmo uma justaposição entre cultura e especialização. Haverá, sim, num sentido profundo, um enriquecimento cultural através da experiência profissional, que me parece ser um dos meios mais poderosos de enraizar a cultura na realidade e de impedir que esta se torne numa série de divagações mais ou menos diletantes.

2 Comments:

Blogger Tarzan disse...

Acho que a definição que quis dar foi a de sábio. O sábio não se limita a ser culto ou erudito. É muito mais que isso.

10:36 da manhã  
Blogger David Soares disse...

Caro tarzan,

Parece-me que o que diferencia o sábio é a partilha da sua experiência de vida.
No entanto, não quis aqui apresentar definições, apenas demonstar que a cultura, conforme a enunciei, não é "inimiga" da especialização como tanto se diz.

2:45 da tarde  

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