segunda-feira, novembro 06, 2006

Lobby Pró-Israel nos EUA

O tema vai provavelmente ganhar nova visibilidade como consequência das propostas em cima da mesa para procurar inverter, pelo menos em parte, o caos iraquiano. Várias delas - nomeadamente a do grupo de «sábios» dirigidos por Jim Baker III que sairá depois das eleições, mas de que já se vai sabendo alguma coisa - incluem uma abordagem regional, em que avanços na questão palestiniana seriam um passo essencial. Quem tiver interesse no tema, dificilmente irá assistir a debate mais esclarecedor e diversificado do que este organizado pela London Review of Books... em Nova Iorque.

O pretexto foi um artigo longo e documentado, publicado na dita LRB, com enorme estrondo, há uns meses atrás, por dois dos mais importantes académicos de relações internacionais norte-americanos: John Mersheimer e Stephen Walt. Isto depois do texto, originalmente encomendado pela Atlantic, ter sido rejeitado por essa e outras revistas norte-americanas. Na altura tive oportunidade de falar com Mersheimer numa conferência e, manifestendo embora algumas dúvidas de pormenor (nomeadamente sobre o caso específico do Iraque), elogiar a inteligência com que as fontes do próprio lobby tinham sido usadas. Mersheimer mostrou-se correctamente pessimista quanto a ver esse facto reconhecido, e afirmou-se convencido – com o humor negro que o caracteriza realçou que isso até ajudaria a comprovar o padrão identificado no seu artigo – que iriam chover acusações de anti-semitismo.

Note-se que, entretanto, um dos participantes, Tony Judt, um intelectual norte-americano (por sinal, e se querem mesmo saber, judeu) crítico do lobby e das políticas de Israel, foi impedido de discutir este tema numa outra conferência, cancelada por alegadas pressões sobre os locatários da sala onde decorreria. O que já originou uma carta aberta e abaixo-assinado. O debate continua, portanto, embora com certa dificuldade.

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