quinta-feira, julho 13, 2006

A Ofensa Razoável


Ao que parece a FIFA quer fazer uma acareação entre Zidane e Materazzi. O objectivo será aferir da legitimidade da atitude do jogador francês no derradeiro jogo do campeonato do Mundo, sobretudo depois de tanto Zidane como Materazzi terem dado versões algo diferentes dos factos que terão levada à marrada impiedosa com que o jogador francês derrubou o seu colega italiano.
É claro que fosse Materazzi moço forcado, a investida de Zidane teria sido bem encaixada – já estou a ver Buffon, salvo seja, como rabejador –, e a investida do cornúpeto não teria tido consequências de maior. Como assim não foi, a FIFA quer ficar a saber tudo e, no fim, deliberar, parecendo óbvio que não se poupará a esforços branquear a atitude de Zidane e assim justificar o título de melhor jogador do mundo dado ao francês.O pior é se a moda pega. Imagine-se o que sucederá, daqui para a frente, quando todos os organismos de justiça de futebol, uma coisa à escala mundial, se virem perante a inevitabilidade de acarearem todos os protagonistas de casos de agressão (e nem me passa pela cabeça que não o façam). Vem a acareação e imaginem-se os agressores a apresentarem uma enorme lista de ofensas pessoais que consideraram totalmente inaceitáveis e, portanto, legitimadoras do uso da violência; por seu lado, os agredidos a desmentirem tudo jurando que apenas lançaram sobre o agressor e a sua família umas quantas ofensas razoáveis. Passo seguinte, instados pela FIFA, todos os organismos de justiça e disciplina por esse mundo fora terão de listar as ofensas razoáveis e irrazoáveis. O problema será nas competições internacionais. Parece óbvio que aquilo que ofende muito espanhol poderá ser relativamente indiferente para um japonês, ao passo um inglês não poderá não ligar ao dobro daquilo que será uma enorme ofensa para um egípcio.

4 Comments:

Anonymous Nosferatus disse...

Realmente acho que se a FIFA enveredar por este caminho estará a abrir um precedente muito mau. Nada, mas mesmo nada justifica uma atitude semelhante à do Zidane. Eu não sei bem o que se terá passado na cabeça daquele homem. Numa final de um campeonato do mundo ter uma atitude daquelas é no mínimo estranho.

Mas a FIFA está a tentar limpar a imagem do chorrilho de críticas que choveram depois de ter considerado o Zidane o melhor jogador do mundial.

É inadmissível esse facto. Alguém que tem estas atitudes não poderá nunca ser considerado o melhor jogador de um Mundial.

Para umas coisas a FIFA é muito rigorosa como no caso da escolha do melhor jogador jovem em que afirmaram que a escolha recaiu sobre o Podolski e não sobre o Cristiano Ronaldo porque este último fazia teatro demais e atirava-se muito para o chão, para outras não se percepciona rigor nenhum como neste caso.

Isto também demonstra que um Mundial não é só aquilo que nós vemos. Há muito mais para além dos jogos, isto é, um imenso mundo de interesses nos bastidores do futebol.

Desenganem-se aqueles que pensam que isso só existe em Portugal.

11:32 da tarde  
Blogger João Miguel Almeida disse...

A FIFA está a entrar num terreno pantanoso. Deve avaliar os jogadores pelos seus actos e não pelas suas motivações.
É aos comentadores que cabe analisar, especular e reflectir sobre as motivações e o sentido dos actos. A minha primeira reacção à cabeçada do Zidane foi de choque, mas tenho reflectido sobre o assunto. Lá para Agosto estou a contar escrever uma série de posts sobre a já famosa «performance».
Quanto à FIFA, não percebo as dúvidas: as regras são claras e a transgressão foi filmada.

12:51 da tarde  
Blogger Fernando Martins disse...

Totalmente de acordo com os dois comentários. De qualquer modo, devo notar que o futebol, como tudo, e disso sempre tive consciência, está cheio de jogos de bastidores. O problema está em saber quais são e medir correctamente o seu alcance.

12:55 da tarde  
Blogger sabine disse...

«É claro que fosse Materazzi moço forcado, a investida de Zidane teria sido bem encaixada». Não por mim!

6:10 da tarde  

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