quarta-feira, maio 31, 2006

Feira do Livro (Hay Way)


Em Lisboa decorre a Feira do Livro. Por aqui o mais parecido que me ocorre é o Hay Festival, em Hay-on-Wye, no País de Gales. (Na prática, de Londres, Lisboa é mais barata e mais perto em tempo de viagem). A ideia em Hay é promover a palavra nos diversos media e não apenas em livro. Mas é o que se arranja. (Tema interessante é pensar se algo decididamente multimedia, mas centrado no poder da palavra, no argumento, resultaria bem em Portugal).
Clinton foi mobilizado para promover a feira. Usam como mote uma frase sua aquando da visita que lá fez para promover a auto-biografia. Aparentemente Hay é "The Woodstock of the Mind!" A analogia pode suscitar algumas questões, mas pelo menos parece que também neste caso há lama e chuva em abundância. (A boa notícia é que a coisa não decorre ao ar livre, mas numa grande tenda.)

É o que podem comprovar no diário da visita a Hay de Margaret Atwood. (Sim, se quiserem acho que também podemos chamar-lhe blogue.) Começa no tom que se esperaria dela: It was a dark and stormy week. Local legend had it that it had been raining for 40 days and 40 nights, and on the Friday morning when I arrived with my spouse, Graeme Gibson, it hadn't stopped. Continua de uma forma que, se estivessemos em Portugal, se diria que é tipicamente portuguesa: Due to bureaucratic foot-dragging, things weren't quite finished. The parking lot was a bog of squelchy red mud. Dá graças pela solução, essa sim reconfortantemente britânica: [we] were fed nice hot cups of tea - the English response to every challenge. Atwood termina com uma declaração de amor a Al Gore (que também esteve em Hay, precisamente por causa do clima). Eu gostei do final, mas não será, talvez, para todos os gostos.
ILUSTRAÇÃO: Old Print cortesia de Old Print Books

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