quarta-feira, setembro 13, 2006
Alguns dirão que tal deve ao facto de que, sendo Mário Soares um “europeísta” a outrance e tendo percebido que a “Europa” já nada tem a ganhar com a relação mantida com os EUA durante a Guerra Fria, desaparecida a “ameaça comunista”, reformulou o seu discurso em função de convicções profundas: o socialismo, a liberdade, a “verdadeira” democracia, o “ódio” ao “capitalismo selvagem”, ao “neo-liberalismo” e ao “neo-conservadorismo”. Embora pense que estas explicações estão correctas, também penso que elas esquecem uma outra, igualmente importante. Mário Soares, o político de grande “faro” e “taticista” por necessidade vital, mudou nos últimos anos politicamente por ter percebido que lhe seria muito difícil garantir um “capital” de simpatia – e não apenas na esquerda – caso não adoptasse o discurso dominante profundamente anti-americano. Só assim poderia Mário Soares ser ouvido e respeitado. E é isso que como político ele deseja acima de tudo nos últimos anos de vida. As convicções ficam para além da vida. Com convicções, aliás, ninguém vai muito longe em política. Se exceptuarmos, claro está, a convicção de que é fundamental prolongar eternamente a vida política e a vida na política.
1 Comments:
Por falar em convicções:
Num humor imbatível, Jon Stewart do Daily Show mostra-nos o vice-presidente americano Cheney a qualificar a prisão de Guantanamo quase como um paraíso na terra para terroristas. Sem setenta virgens mas com dois deliciosos tipos de fruta.
Vídeo - 4:43m
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