quinta-feira, abril 24, 2008

Duas discussões, de facto

O post da Ana Cláudia Vicente refere duas discussões, uma sobre a guerra colonial, outra sobre a «rua» em democracia. Deixo de parte a da guerra colonial, quero apenas notar que a Ana Cláudia, apesar da atenção que tem e que falta a outros, passou em claro as duas discussões em curso sobre a «rua».
Há uma discussão nos links no 5Dias e no blog da Atlântico que a Ana refere. Trata-se de uma discussão que eu não mantenho. A saber, discute-se por lá casos de polícia (sobre isto ver também o meu comentário na caixa do post da Ana): quem é pior, skins ou okupas? Como combater a delinquência e a ilegalidade? Etc. Não tendo eu conhecimento de assuntos de segurança interna, isto tudo só me interessa na estrita medida dos princípios: ditos de «Esquerda» ou de «Direita», aqueles que combatem a democracia ilegalmente devem ser combatidos legalmente pela democracia (pela lei, que a polícia faz, se necessário, cumprir). Saber quem é pior é irrelevante, tal como contar os mortos de nazis e sovietes não adianta nem atrasa.
A outra discussão, que eu fiz no post que a Ana refere e noutros, e que faço também num livro (que já valeu à editora ser hackada sem que ninguém se indignasse…), não é uma discussão de polícia mas sim de política. Interessa-me saber: 1) que apoios, directos e indirectos, têm os que atacam ilegalmente a democracia? 2) que significado social têm esse ataque e esses apoios? Os apoios directos encontram-se na extrema-esquerda parlamentar, sobretudo no BE, como é público, os indirectos na Imprensa (incluindo blogs) que acham tudo «normal»; o significado social é tratar-se de uma generalização de uma relação cesurista com a vida em comum, democrática, e a promoção de uma distopia supostamente socialista e na verdade totalitária. Que se infiltra nas forças democráticas, como PS e PSD. Não por acaso, visa sobretudo o PS, a única força democrática de Esquerda em Portugal.
Apesar de a acção de polícia poder ser necessária (e é bom que surja, se vier a ser precisa), o que me interessa é a discussão política. E nada disto é de agora, a displicência e as cumplicidades são infelizmente muito velhas.

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