segunda-feira, abril 21, 2008

Da crise do PSD e outras perguntas

Parece porventura uma banalidade dizer que a supremacia do ego é nos dias que correm a doutrina oficial. Podemos observá-lo em diversos aspectos da vida contemporânea. Mas o flagelo do egoísmo e do egocentrismo parece quase um mal irremediável que vai corroendo as nossas relações com os outros, no sentido mais largo que esta expressão pode ter. Isto não é o que está no fundo da crise do PSD? Barões ou populistas, nas cúpulas ou nas bases, o que está mal não é um profundo egoísmo ideológico, virado para os interesses próprios e pleno de "pessoalismos"? Não é a ausência de um sentido político de comunidade, de partilha, de bem-estar comum que está em causa na política actual? Não é isto a falência de qualquer modelo de governação? E isto não é novo, nem é de hoje. Mas a quem podemos afinal confiar a direcção da nossa comunidade? O que fazer da política? Como transformar as energias que emergem dos nossos egos e pô-las ao serviço do bem de todos? Como sermos mais com os outros e para os outros, sem ortodoxias nem fanatismos? Como nos libertarmos destas teias do ter e do possuir? Como organizar um partido que lute apenas pelo bem-estar comum, sem falsas utopias, sem ingenuidades, sem lógicas de partido único ou doutrinas absolutistas da vida em comunidade?

Perdoem os caros leitores tantas perguntas sem respostas.

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segunda-feira, dezembro 24, 2007

ASAE ou política?

A ameaça de liquidação dos pequenos partidos que não possuem um mínimo de cinco mil militantes lembra-me os critérios da ASAE: acabe-se com o que não tem o tamanho certo, o peso adequado, a imagem viçosa. Há ideologias que passaram o prazo de validade. Há produtos políticos condenados pelo mercado eleitoral. Pelo menos, o zelo dos funcionários da ASAE já os levou a criticar a própria instituição em que trabalham: acusam-na de deficiências no sistema de higiene e segurança no trabalho, além de falta de controlo médico e psicológico. Se a analogia e a lógica estiverem correctas, os membros dos maiores partidos acabarão por concluir que a política de varrer os partidos com menos de cinco mil militantes também não satisfaz a gloriosa filosofia subjacente à ASAE: perigo de intoxicação devido a espaços demasiado fechados, separação pouco higiénica entre princípios e prática política, estragos ambientais com a redução da biodiversidade, abuso da posição dominante no mercado.

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