segunda-feira, março 31, 2008

Isto também não é bem um Almanaque do Povo


















1. Este haikku vem daqui, um dos meus blogs de estimação:


HAIKKUS POLÍTICOS (0-2):


Na cerejeira a sombra.


Amargo, o horizonte.


Ribau Esteves.





Gotas. Na cidade


Cintilam insectos.


E o comité central?





Vitalino Canas.


O som da maré enche


Todas as janelas.


2. Entretanto, em Lisboa, o BE dá mais outra mostra da sua prática democrática. Citado do Público, onde cheguei via Hoje há conquilhas…
«Sá Fernandes força Wind Parade Lisboa 2008 contra vontade da maioria dos vereadores
26.03.2008 - 21h27 Ana Henriques
O vereador eleito pelo Bloco de Esquerda José Sá Fernandes e os socialistas que com a sua ajuda governam a Câmara de Lisboa foram ontem alvo de violentos ataques verbais na reunião da autarquia, depois de terem forçado a implantação de 15 ventoinhas de produção de energia eólica em vários pontos da cidade, contra a vontade da maioria dos vereadores.Os autarcas do PSD abandonaram a sala em protesto, não sem antes se terem manifestado contra esta “ausência de regras democráticas” e este “enxovalho”. E não descartam a possibilidade de recorrerem a “outras instâncias”, embora não especifiquem quais, para se queixarem do sucedido.Apesar de as suas competências lhe permitirem levar o projecto por diante sem o submeter à votação dos restantes vereadores, Sá Fernandes optou por apresentar uma proposta nesse sentido na reunião de câmara. Quando percebeu que tudo se encaminhava para o chumbo do projecto, que só o PS aprova, optou, por sugestão do presidente da autarquia, António Costa, por retirar a proposta. Mas anunciou ao mesmo tempo que levará o projecto por diante, mesmo sem a concordância da maioria dos vereadores, uma vez que as suas competências lho permitem. O ruído e o impacto visual das microturbinas são as principais objecções à sua instalação, que será temporária, apenas entre Julho e Dezembro - e que servirá mais como campanha de sensibilização para as energias alternativas do que como real fonte de produção de energia eólica, uma vez que Lisboa não tem muitos locais onde a força do vento seja suficientemente elevada.O vereador Pedro Feist, do grupo Lisboa com Carmona, declarou que nos 32 anos que leva da autarquia lisboeta nunca viu “uma situação destas”, em que um vereador tenha passado por cima da vontade dos seus pares. Já Helena Roseta falou em “baixa democracia”. Sá Fernandes e os socialistas foram acusados de autoritarismo por toda a oposição. “Foi um episódio que pensei que jamais pudesse acontecer na Câmara de Lisboa”, observou o comunista Ruben de Carvalho, que vê a situação como “um claro desrespeito pela democracia”. O PCP ameaça desenvolver sobre o assunto “o mais enérgico protesto político, com todos os recursos” que tiver “à mão”.»
Que o PS se confunda com isto, voluntariamente, é lamentável e nocivo. Aliás, a gestão de António Costa, com a trapalhada do orçamento/empréstimo e da frente ribeirinha, não anda nada bem.

3. Numa nota mais alegre, parece que no Zimbabwe se está a desmentir a litania contra a democracia e as eleições como «farsa», etc. Mesmo pobres, perseguidos e silenciados, os opositores de Mugabe mostram ser a maioria e só precisar da lei para vencer. Isto sim será acção directa!

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domingo, março 30, 2008

(Isto não é bem um ) Almanaque do Povo

Na escola: Aquilo ali na foto é o meu caderno de Português, circa 1993 (pois, já sei, constatavelmente anti-cor-de-rosinha). Tem as anotações da aula do professor António Leal, figura exigente, dedicada, por vezes colérica. Bastante duro nas palavras de repreensão, generoso nas de incentivo. Dos poucos que manifestavam preocupação com o resultado da nossa prestação académica ("Estes vossos testes, francamente, não se corrigem nem com puro malte! Cabeças pequeninas!"). E nós? Alunos entre o aplicado e o boçal-pequeno-delinquente, num secundário de classe-média.
Lembrei-me bastante dele já no princípio desta década, quando fiz o estágio educacional. O panorama social era aparentemente semelhante, mas a minha nova situação levava-me a interrogar o motivo pelo qual, quando era aluna, quase todos nós reconhecíamos autoridade àquele homem baixo, magrinho e sexagenário. Desse novo lado da sala aprendi não se chegar nem perto do objectivo sem a combinação de preparação científico-pedagógica, resistência psicológica e empenho no que se está ali a tentar fazer. Quem não tem isto não está apto para ensinar no básico e secundário, e o Leal tinha-o. Mas o que eu recordava do meu melhor professor não me deu chave para lidar com uma outra geração, claro, nem com situações de volatilidade na fronteira entre a indisciplina e a violência em contexto escolar. Felizmente, nesse período, nunca um aluno me fez pior que insultar (ser-se mandado para o car###o chega e sobra), tendo dos procedimentos disciplinares decorrentes surtido efeito positivo.
Faço votos para que tudo o que se tem visto (até à náusea) e falado nestes dias ajude a inverter a situação de proscrição do mainstream político-pedagógico de conceitos como castigo, expulsão, reprovação, etc. Não para repôr nenhum tipo de autoritarismo, mas marcar a fronteira entre o aceitável e o ilícito. Espere-se muito de quem ensina, sim, tal é indispensável, mas também - tão ou mais importante para o tempo que há-de vir - de quem aprende. Os alunos são indivíduos dotados de inteligência, consciência, (em boa medida) responsabilizáveis. Um jovem é uma pessoa a caminho da idade adulta, não é uma pessoa em potência.

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sábado, março 29, 2008

20 anos depois


Ou perto disso. Deve ter sido por 1988 que ouvi falar pela primeira vez dos Pylon. Foi no booklet de Dead Letter Office, album de lados b e afins dos R.E.M., onde Peter Buck comentava como, nos primórdios do grupo, não deixava de invejar os seus conterrâneos de Athens, Georgia.
Agora surge (ed. DFA, distribuição Sabotage, encontra-se na FNAC a preço decente) Gyrate Plus. Um CD com o album dos Pylon de 1980 (Gyrate) e mais dois singles e um inédito. Parece que agora os Pylon, quarteto que rapidamente se desfizera, se reuniram, há mesmo um site (wearepylon.com) para os interessados. Santiago Alquimista, por que esperas?

A música dos Pylon, e em particular a de Gyrate, é merecedora de todos os elogios de Buck e dos de Michael Stipe (R.E.M.), Fred Schneider (B52's) e Hugo Burnham (Gang of Four), no booklet deste Gyrate Plus (inclui as letras das canções). A música, à falta de uma definição exacta, é qualquer coisa como a fusão do Colossal Youth dos Young Marble Giants com o Fear of Music dos Talking Heads. Assim tão bom, ser tudo da mesma época não pode ser coincidência.

O mais sério candidato a melhor disco de 2008, até ao momento, é um CD de música com quase 30 anos (e não quero saber que este CD tenha saído em 2007). Mas há que ouvir pelo menos o novo dos R.E.M. e o novo dos American Music Club. De qualquer modo, assim o ano está já garantido.

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sexta-feira, março 28, 2008

A histeria do Ministério Público

A exploração pelas televisões, até à náusea, do vídeo expondo o caso de indisciplina bárbara no liceu Carolina Michaëlis está a contaminar de histeria responsáveis de cargos públicos. É o caso do procurador-geral da República, o qual afirmou aos jornais que «os ilícitos dentro da escola são ilícitos criminais» e que «os conselhos executivos deveriam ser obrigados a participar desses casos de agressão» [Público de hoje]. A primeira afirmação ou é redundância ou denuncia a intenção de submeter as escolas a uma absurda vigilância policial. Esfaquear alguém é um ilícito criminal dentro ou fora de uma escola. Copiar num teste é um ilícito e não vejo como é que pode servir de pretexto para chamar a polícia ou justificar uma sanção mais grave do que a anulação do teste ou, se for caso disso, um chumbo. Nem todos os ilícitos praticados numa escola são agressões, nem todas as agressões justificam a intervenção dos poderes públicos. Tratar a adolescente histérica mais famosa do país como criminosa é «promovê-la». Tratar os conselhos executivos das escolas como «informadores» do Ministério Público é rebaixá-los. Pretender arrumar na mesma categoria uma miúda que se agarra ao telemóvel como um bicho desalmado a uma presa e um violador ou um esfaqueador, a pretexto de que «as pequenas agressões conduzem às grandes agressões» corre o risco de se tornar uma profecia auto-realizada. Será o excesso de zelo a misturar miúdos malcriados com criminosos a sério. A bem da autoridade e da saúde mental de todos, nestas questões requer-se sensibilidade e bom senso. Que se manifesta na distinção de níveis de agressão e na divisão de tarefas entre responsáveis por manter qualquer ordem disciplinar e a polícia ou o Ministério Público.

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quinta-feira, março 27, 2008

Notícia(s)

É hoje lançado, às 18h na Fundação Gulbenkian em Lisboa, o volume de homenagem a António Braz Teixeira, Convergências e Afinidades. O homenageado, Presidente do Conselho de Administração da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, acaba de publicar nas edições Sílabo (Lisboa) Conceito e Formas de Democracia em Portugal e outros estudos de história das ideias.

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quarta-feira, março 26, 2008

A despersonalização da vida contemporânea: os mercados e os Estados

No ocidente, desde a segunda metade do século passado, têm-se destacado duas instituições: os mercados e os Estados. Os mercados, pela sua natureza própria, são transaccionais, dizem respeito a preços e não a valores, são espaços de troca que não envolvem o julgamento sobre o que é trocado, por quem ou em troca de quê.
Paralelamente (ou não...) a política estadual têm-se tornado ainda mais processual e administrativa, preocupada em distribuir o máximo de serviços públicos a um custo mínimo, ao mesmo tempo que passa ao lado das questões morais essenciais sobre o género de mundo que queremos construir colectivamente. John Rawls chama a este credo do liberalismo contemporâneo “a prioridade do certo sobre o bom”. Muitos já nem sequer acreditam no consenso sobre o bem comum em sociedades que se tornaram pluralistas e multiculturais, defendendo, por vezes, que os Estados não têm o direito de tomar decisões colectivas sobre o “bem”, que devem ser deixadas à escolha e consciências individuais. Seja como for, parece existir cada vez mais, tanto dos mercados como dos Estados, uma marginalização das considerações éticas dos seus procedimentos de decisão.
O mesmo se podia aplicar às grandes multinacionais cuja raison d´être e lógica de decisão é tão só dar lucro aos seus accionistas. Responsabilidades mais amplas não são essenciais ao seu objectivo, embora concerteza muitas tenham sido obrigadas a cumpri-las pela pressão pública e tenham incorporado outras responsabilidades nas suas políticas ou declarações programáticas.
De qualquer maneira, a grande mobilidade do capital e da produção resulta na medida em que sejam frequentemente capazes de escapar ao domínio dos Estados, por um simples gesto de transferência da produção para outro sítio ou de subcontratação a firmas locais ou até mesmo através da deslocação da sua base financeira.
No passado havia uma ligação directa entre os possuidores da riqueza e os seus produtores. Hoje em dia, as elites globais têm muito pouca ou mesmo nenhuma ligação com as pessoas afectadas pelas suas decisões. Não vivem no mesmo país dos que produzem os seus bens e têm provavelmente pouco, senão nenhum contacto com aqueles que os compram, em particular quando uma aquisição é feita através da internet.
A distância e a despersonalização da contemporaneidade espoliaram-nos da ligação imediata entre o acto e a consequência, o que também enfraquece o nosso sentido moral.

segunda-feira, março 24, 2008

O dia acaba...

E como nenhum amigo pica o ponto, aqui fica um link, para uma causa justa.
http://familia-mono-parental.blogspot.com/2008/02/petio-online.html

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domingo, março 23, 2008

Crise de valores (I)

Não tencionava escrever sobre isto, nada de inédito se passou, nem este blog é dado a polémicas fáceis. Fui desencaminhado pelo António Manuel Venda. A conversa de Rousseau (versão Filomena Mónica) anuncia a lengalenga da crise de valores, velho tropo vácuo e falso em todos os tempos. Daí o título do post.
O problema da turma 9º C do Carolina Michaelis é antigo (cf. Platão, Górgias); não é «de classe», nem permite supor que aquela não possa até ser a melhor turma de Francês. Quem dá aulas sabe como mesmo os bons alunos têm maus hábitos. O aproveitamento pela oposição ao governo do «estatuto do aluno» é óbvio mas irrelevante (antes dele, e agora, não havia já a possibilidade de expulsão, sem reinscrição durante o ano, para aluna e «realizador», nem o «chumbo» automático na disciplina para todos os restantes); o problema nem é novo na sua forma actual, os dados estatísticos indicam que isto acontece todos os dias (hipocritamente, os professores «como classe», note-se, não como profissão, dizem em público adorar os seus alunos e, em privado, só se queixam deles, queixas acompanhadas de casos de depressão na profissão numerosos). E de resto a cultura «juvenil», à força de ser pedopsiquiatricamente compreendida (tratando o óbvio e elementar como se fosse caso «especial» e de compreensão particular, gerando ambiguidade e duplicidade irrestritas), tornou-se mainstream (como a pornografia) e exibe-se onde antes se esforçava por ser remota do mundo «adulto» (dos pregões no Blitz passou-se ao Youtube).
O problema surge da auto-desautorização dos adultos (em casa será muito diferente, mesmo? Os filhos dos professores não são mais bem comportados que os restantes…) e da desresponsabilização dos comportamentos dos adultos. Como comentei há semanas em conversa com Miguel Real (autor, e professor de Filosofia no Secundário), as manif’s de professores convocadas por SMS com ameaças a ministros e membros do PS, insultos e espalhafato na TV contra a ministra, e a grotesca «semana de luto» só podiam diminuir os professores aos olhos dos adolescentes que os viam em cenas completamente rascas e demagógicas. Quando a «autoridade» se comporta irresponsavelmente, como esperar que o normal, i. e., a disciplina na sala, seja sequer considerada pelos alunos? Não o fazem e fazem gala em não o fazer. Isto não é substantivamente diferente de quem não desliga os télelés nos cinemas, e de professores que também não o fazem na sala de aula, ou dos deputados que os deixam ligados para servirem de «fontes» dos trabalhos em comissão parlamentar a jornais sem escrúpulos. Para cúmulo do simbolismo, neste caso reapareceu o ilustre Prof. Charrua a servir de fonte para os jornais. Ainda há pouco tempo houve quem falasse de «censura» quando no Minho não gostaram que um professor tivesse um blog obsceno, agora admirem-se que os meninos tratem os «profs» por «tu»… Não é uma crise de valores, é realmente uma grande coerência de comportamentos sociais e vem de longe, adquirindo agora, sobretudo pela conjuntura política, uma visibilidade apenas um pouco maior.
A minha experiência como docente (do ensino superior) é essa: pastores luteranos quarentões a atenderem telefonemas na aula; jovens a fazê-lo também (mas, depois de mandado embora, procurou-me para se desculpar, como um adulto – que era, apesar de jovem). A vulgaridade não muda por haver expulsões da sala.
No dia em que «a cena» foi conhecida, professores de uma escola (salvo erro em Coimbra) votaram por suspender a avaliação docente…esperem até os alunos saberem.

PS- Para o próxima passo das formas inferiores de luta, já em curso, ver Rui Bebiano em A Terceira Noite (mas professores showmen vs professores distantes é equívoco; só há aulas com professores e alunos, e em Portugal estes querem ser passivos e os professores por regra querem que eles assim sejam, Bolonha reduz-se a maquilhagem).

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sexta-feira, março 21, 2008

Haverá sangue

A última longa-metragem de Paul Thomas Anderson, There will be blood, é um filme épico sobre a exploração do petróleo nos Estados Unidos no início do século XX. O termo épico é adequado pois Paul Thomas Anderson pretende, como Homero, contar e cantar uma saga. A narrativa alia-se à poesia visual e sonora. Mas, ao contrário dos heróis da épica clássica, Daniel Plainview, a personagem central da história, não aspira à glória, à conquista de uma mulher ou ao regresso a casa, mas à solidão que a acumulação de ouro negro permite. As qualidades heróicas – sagacidade, tenacidade, bravura – conduzem-no a um destino que, antecipadamente sabemos só pode ser violento. Por isso, no filme o sabor épico mistura-se com o amargo sabor das personagens condenadas ao fracasso de Herman Melville ou de Kafka.
O filme pode surpreender, num primeiro momento, quem viu outros filmes de Paul Thomas Anderson, como a comédia romântica Punch-Drunk Love (2002) e o mosaico dramático Magnolia (1999). Numa segunda análise podemos detectar nos três filmes o tema familiar como motor da narrativa. Haverá sangue é a história de duas famílias em desagregação: a de Daniel Plainview, que nunca casa e acabará por rejeitar o filho adoptivo, e a da família Sunday, proprietária do terreno que Plainview compra para extrair petróleo. A esta família pertence Eli Sunday, filho do proprietário do terreno e pastor que funda a Igreja da Terceira Revelação. O confronto entre Daniel e Eli é um duelo entre a lucidez obsessiva e a obsessão da má-fé, do qual só poderá resultar a morte e a destruição. O eventual final feliz ficará para as personagens secundárias: H.W., o miúdo adoptado, usado e por fim, já homem, repudiado por Plainview, e a mulher de H.W., Mary Sunday.

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A poesia de Ruy Belo

PORTUGAL SACRO-PROFANO
LUGAR ONDE

Neste país sem olhos e sem boca
hábito dos rios castanheiros costumados
país palavra húmida e translúcida
palavra tensa e densa com certa espessura
(pátria de palavra apenas tem a superfície)
os comboios são mansos têm dorsos alvos
engolem povoados limpamente
tiram gente de aqui põem-na ali
retalham os campos congregam-se
dividem-se nas várias direcções
e os homens dão-lhes boas digestões:
cordeiros de metal ou talvez grilos
que mãe aperta ao peito os filhos ao ouvi-los?
Neste país do espaço raso do silêncio e solidão
solidão da vidraça solidão da chuva
país natal dos barcos e do mar
do preto como cor profissional
dos templos onde a devoção se multiplica em luzes
do natal que há no mar da póvoa de Varzim
país do sino objecto inútil
única coisa a mais sobre estes dias
Aqui é que eu coisa feita de dias única razão
vou polindo o poema sensação de segurança
com a saúde de um grito ao sol
combalido tirito imito a dor
de se poder estar só e haver casas
cuidados mastigados coisas sérias
o bafo sobre o caço como o vento na água
País poema homem
matéria para mais esquecimento
do fundo deste dia solitário e triste
após as sucessivas quebras de calor
antes da morte pequenina celular e muito pessoal
natural como descer da camioneta ao fim da rua
neste país sem olhos e sem boca

ANDRADE, Eugénio, Antologia da Poesia Portuguesa, Porto, Campo das Letras, 1999, pp. 527-528

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quinta-feira, março 20, 2008

O direito à indignação (I)

Um autarca gaiense é multado por excesso de velocidade: 120 euros. Paga o município...
Uma mãe de família, apanhada por acaso com a inspecção ao carro em atraso (um mês), sem ter cadastro, sem ter cometido infracção alguma, sem danos ou falta de documentos, etc: 250 euros.
Justiça social.

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quarta-feira, março 19, 2008

Faith is not a policy check-list

Mais do que a análise da única polémica que até agora realmente abalou a campanha de Obama, este post de Andrew Sullivan importou-me por testemunhar o que representa professar uma fé em comunhão. Feito de enorme tensão entre pertença religiosa, integridade espiritual e cidadania, o seu percurso propôs-me, pela primeira vez nesta Quaresma, uma verdadeira reflexão.

terça-feira, março 18, 2008

Novidades?

Há-as, sim senhores: o tribunato do povo passa a contar com mais um cidadão, o Carlos Leone.

Sejas bem-vindo, Carlos!

domingo, março 16, 2008

Almanaque do Povo

I have no desire to monetize this blog: Frank Warren, o criador do projecto Post Secret, gere o lugar sem publicidade mais visitado da bloga. Vai daí um espertalhaço, provável enésimo, propõe-lhe aquela coisa muito em moda de transformar as palavras em links-surpresa com publicidade a grandes marcas. Ali, onde o acolhimento é propositada e literalmente gratuito para honrar palavras que o não são. Um mui polido Frank lá o despacha, sem mais, só com um itálico lapidar. Malta assim não entende outro tipo de revenue.

A Esfera: Aproveitando o tanto que se tem falado em ensino, chamo a atenção para a exposição de manuscritos Sphaera Mundi, em exibição até finais de Abril na Biblioteca Nacional. Por eles se pode seguir o fio de quase duzentos anos (1590-1759) de estudo das ciências físicas e matemáticas no colégio jesuíta de Santo Antão. Ali ensinaram mestres vindos de diferentes pontos do continente europeu, e ali, entre a tradição e a novidade, se aprendeu um mundo em progressivo conhecimento de si mesmo.

SxSW: O South by Southwest já não é o que era, um simples festival de música. O famoso meeting texano tem-se diversificado, e está agora tripartido. No SxSWInteractive, encontro anual com mais de uma dúzia de anos repetido na semana passada, milhares de uber-geeks tomaram o pulso ao que se faz às tendências para os próximos tempos. Para saber de algumas dessas novidades, porque não começar pelos vencedores dos Web Awards deste ano?

Cantinho das reclamações: Acresce a mais esta manifestação de à-vontadinha tão típico da Portugal Telecom a enorme dificuldade em compatibilizar uma das virtudes do serviço MEO - a possibilidade de gravar múltiplos programas em unidade ou série - com o à-vontadinha tão típico das televisões portuguesas, exímias na finta das grelhas.

Standing tall, standing up, or just standing there?: O que fazem mulheres como Hillary Rodham Clinton, Dina Matos McGreevey, Suzanne Craig, ou agora Silda Spitzer no enquadramento televisivo das confrangedoras declarações dos seus esposos? Tento perceber, mas não percebo.
[Imagem: capa do livro homónimo de Charlotte de La Tour, 1822]

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sexta-feira, março 14, 2008

Menezes não chega

Em entrevista à RTP, frente a Judite de Sousa, Luís Filipe Menezes mostrou-se mais consistente do que seria de esperar em relação à oposição interna do seu partido. Quanto às questões de política nacional, recorreu à táctica do toca e foge. E não tocou na questão mais controversa do momento, a da avaliação dos professores. Mostrou que tinha as sondagens na ponta da língua e as soluções para o país debaixo da língua. Convenceu os que já estavam convencidos. Manifestamente, não chega.

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No centenário de Vieira

A maior graça da natureza, e o maior perigo da graça, são os olhos. São duas luzes do corpo, são dous laços da alma. Mas como os mesmos olhos ou são os próprios, com que vemos, ou os alheios, com que somos vistos; questão pode ser não vulgar, e útil curiosidade, saber quais deles sejam o maior laço, e o maior perigo. Eu em tanta estreiteza de tempo não o tenho para disputar: e assim digo resolutamente, que o maior perigo, e o maior laço são os olhos alheios. E porquê? Porque sento tão natural no homem o desejo de ver, o apetite de ser visto é muito maior. Considerava Job a sua morte, e vede a espinha que mais lhe picava o coração: Nec aspiciet me visus hominis. Morrerei, e não me verão mais os olhos dos homens. O uso de ver tem fim com a vida, o apetite de ser visto não acaba com a morte. Esta foi a origem das estátuas romanas sepulcrais. Punha-se a estátua e imagem do defunto sobre o sepulcro, para que o homem que dentro dele não podia ver, sobre ele fosse visto. Já que me falta a vida própria, ao menos não me falte a vista alheia. De maneira que devendo os mármores da sepultura ser uns espelhos em que se vissem os vivos, são uma antecipada ressurreição da arte, em que se vêem os defuntos. Tão imortal é nos mortais o desejo de ser vistos! E se esta ambição vive nos mortos, nos vivos que será? Será o que diz o Texto que propus, com maior erro ainda, e indignidade na vida, que ambição e vaidade depois da morte: Nemo in occulto quid facit: Ninguém faz ocultamente cousa digna de louvor, porque oculta não pode ser vista. Tirai do mundo (diz Séneca) os olhos alheios, e nada se fará do que o mesmo mundo admira, e preza: Nemo oculis suis lautus est: ubi testis, ac spectator abscessit, omnia, quorum fructus monstrari, et conspici. Este era o uso de Roma no tempo do estóico. Mas porque então, e depois, e ainda hoje se usa o mesmo em tempo de Cristo, que faremos? Para desterrar de Roma o nemo, e ajuntar nela o facit com o occulto, isto é, para que as boas obras se façam, e juntamente se ocultem, vos oferecerei brevemente neste discurso três documentos: um seguro, outro perfeito, e o terceiro heróico. O seguro, não obrar para os olhos dos homens: o perfeito, obrar só para os olhos de Deus: e o heróico? Obrar por Deus como se Deus não tivera olhos. Este é o meu argumento. Bem vejo quanta dissonância vos fará nos ouvidos a rudeza de uma v tão pouco romana, como a minha, no meio da harmonia destes coros reais, pouco menos que celestes. Mas o mesmo autor do nosso Evangelho, S. João, diz que no tempo em que os anjos do Céu estavam cantando os louvores de Deus, se fez lá pausa e silêncio por espaço de meia hora, para se ouvirem as vozes da Terra: Factum est silentium in coelo quasi media hora. Eu farei por não exceder a meia, nem ainda o quase.

«Sermão da Quinta terça-feira da Quaresma pregado pelo Padre António Vieira, em italiano, à Rainha da Suécia» in Padre António Vieira, Sermões, vol. II, Porto, Lello & Irmão, Porto, pp. 75-76.

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quinta-feira, março 13, 2008

Bloguemos criticamente um pouco mais


É bem sinal da pouca disponibilidade para este blogue ter pensado que o meu poste anterior tinha sido publicado há tempos, e afinal ficou (paciente e silenciosamente) esperando melhores dias. Prometo aplicar-me mais (para mal dos vossos pecados), embora mais sinteticamente (espero e devo).

Há tempos, Pedro Mexia (creio) dizia (ou disseram-me que disse) temer, no futuro, pelo domínio da publicação por obras de história e outras várias menos literárias. Eu temo, hoje, o prático desaparecimento da crítica de ensaio e história na imprensa. Ela é de há muito escassa. Hoje é escassíssima, intermitente e frequentemente curta (em vários sentidos).

Este estado moribundo da crítica literária em geral e da escrita não-ficcional nativa em particular é sinal do afogamento das (vagas, admito) tradições de debate de ideias em Portugal.

Talvez a ressuscitação venha por via da internacionalização. Falar em inglês sobre (algumas) coisas lusas será menos bizarro do que parece? Somehow duvido que a moda pegue (e que nos aturem).

Talvez o blogues possam compensar (um pouco, mas quem faz o que pode...) Mesmo telegraficamente parece possível dizer um pouco mais do que aquilo que vai sendo publicado (por norma) na imprensa sobre livros, colóquios, etc.

É por estas e por outras que ler artigos como o do (barão) Skidelsky na Prospect sobre o estado crítico da crítica na imprensa americana (que não na inglesa, note-se, onde as páginas de livros e os sítios virtuais a elas associadas se vão expandindo merrily) nos mostra que afinal nem todos os mortos são iguais.

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quarta-feira, março 12, 2008

Regicídio e outros acidentes de trabalho


O assassinato do rei D. Carlos há cem anos atrás foi objecto de um interessante colóquio (há umas escassas semanas atrás). Segui o conselho do João e assisti a algumas das comunicações. Ficam umas notas dispersas e incompletas.

Das intervenções a que assisti não ficou claro qual foi o impacto real do regicídio português de 1908. Foi um acontecimento fortuito, um contributo menor para o fim da monarquia, ou um momento de viragem decisivo? Aliás a questão está intimamente ligada ao tema quente do contra-factual. Se foi irrelevante matar D.Carlos tudo não passou de um vulgar crime. Se foi um facto político maior, então é preciso apontar quais teriam sido as consequências prováveis de ele não ter acontecido.

Rui Ramos foi - tirando D. Carlos - o ausente mais presente nas comunicações, com algumas denunciando o recurso ao contra-factual em termos muito indignados mas pouco argumentados. Apesar de tudo o dito método, discutível como todos, até já valeu um prémio Nobel da Economia - não exactamente o tipo de coisa que costuma premiar jogos florais - a um (re)conhecido historiador norte-americano.

A interessante comunicação de Paulo Jorge Fernandes ganha aqui particular relevo. Pois, embora ele próprio se mostre (algo) crítico de Rui Ramos, ao apontar para as queixas do Partido Progressista contra um rotativismo muito imperfeito parece mostrar que o projecto de favorecimento régio de um partido reformista do sistema contra a lógica do bipolarismo – como sucedia em 1908 com o apoio de D. Carlos a João Franco – já tinha tido um importante precedente bem sucedido no apoio de D.Luís e Fontes Pereira de Melo, até com direito a uma conspiração contra o monarca com envolvimento progressista em 1883. A diferença em 1908 fui que alguns dissidentes do sistema político monárquico puderam pagar carabinas à Carbonária republicana. A Carbonária transformou-se assim numa organização dotada de armas de precisão para uma operação bem sucedida de decapitação do trono para benefício imediato das elites rotativas, mas no prazo de dois anos dos republicanos.

O regicídio, note-se, não é propriamente uma novidade portuguesa. Esse foi talvez o ponto mais importante que o colóquio terá sublinhado.

Houve no final do século XIX e início do século XX a primeira grande onda terrorista internacional, com grupos mais ou menos organizados e relacionados, partilhando simpatias anarquias, estendendo-se pela Europa e EUA. Frequentemente explodiam bombas que matavam os próprios bombistas e uns quantos inocentes incautos naquilo que a nossa imprensa republicana e radical gostava de designar como acidentes de trabalho. Mas também alvejavam mais alto.

Das muitas tentativas de matar reis, imperatrizes, presidentes e ministros algumas tiveram sucesso. No entanto, os efeitos foram muito distintos. Porquê as diferenças? A questão é complicada - embora a solidez das instituições e o peso das personalidades pese - e muito ganha com uma abordagem comparada, mas ficou em boa parte por responder.

Pode-se perguntar concretamente porque não foi a repressão dos carbonários mais eficaz? António Ventura deixou claro que a polícia sabia muita coisa dos carbonários portugueses. Mas nestas questões das informações sobre redes terroristas é normal a polícia saber muito, mas não saber o essencial: de provas incriminadoras, de datas, locais e acções específicas. Sem isso que importa que uns quantos tipos subversivos se reúnem de forma suspeita nuns barracões?

Há ainda os limites políticos da repressão. Embora a Lei "Celerada" de 1896 desse, num padrão típico, ao Estado Português poderes extraordinários em reacção ao desencadear de uma vaga terrorista, raramente as condições políticas e policiais para a utilização desses poderes arbitrários de detenção e deportação sumárias se mantêm por muito tempo.

É esta vaga internacional, e esta impotência que tornam difícil de sustentar a tese de João Madeira sobre o regicídio como o culminar de uma revolta social assente na pobreza do povo português. Não só o povo português já tinha sido bem mais pobre, como houve outras grandes vagas de protesto laboral e até mais organizadas e contra um regime mais repressivo. No entanto, em 1973, nem o PCP, nem mesmo os incipientes grupos armados, pensaram em matar Marcelo Caetano. Há que dar mais espaço ao exemplo dos regicídios exóticos. Há que dar mais espaço à ideologia, à doutrinação anarquista e republicana. Há que dar mais espaço à decisão individual de um Luz Almeida, Alpoim, Ribeira Brava, Franco, D. Carlos ou Buíça.

Muito rica foi a reflexão de Fernando Catroga (com abundantes referências internacionais) sobre o perfil do terrorista típico dessa mudança de século. Ele aliava ambição de fama - esta é a época de nascimento da imprensa de massas - com o ideal de martírio ao serviço da pátria oprimida. Central na legitimação do acto de outra forma criminoso estava a noção de tirania. Já o assassino de Lincoln a tinha invocado, gritando: "assim morrem sempre os tiranos!". O problema é que para muitos anarquistas do início do século XX não havia inocentes na sociedade burguesa!

Em suma, não se avançou para um consenso (atrever-me-ia a dizer, contra-factualmente) impossível e indesejável. E bom seria que as palavras iniciais de Fernando Rosas sobre uma visão plural de um acontecimento complexo continuassem a ser praticadas.

Certo, mesmo, talvez seja simplesmente o facto de que, quer D. Carlos, quer Buíça teriam visto (com justiça) a respectiva morte como um acidente de trabalho. Nem espantaria que o rei, caçador exímio, mostrasse admiração pela pontaria de outro atirador de eleição. Talvez aqui, no entanto, esteja a levar o contra-factual longe demais: quais seriam os pensamentos além túmulo de D.Carlos é ir um pouco longe demais para a história, mas parece-me ficar bem no espaço virtual de um blogue.

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sexta-feira, março 07, 2008

A gravidade da recessão

Depois de se ter enredado de forma infeliz na(o) novela(o) do BCP, Miguel Cadilhe marca pontos nas lides do comentário de política económica. Em causa o economicismo do termo «recessão técnica» para diagnosticar o estado económico do país. E as vantagens de reconhecer que a economia portuguesa atravessa uma recessão grave, a qual, face ao novo Pacto de Estabilidade e Crescimento, de 2005, pede e justifica uma política orçamental anticíclica.

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A História de luto


Joel Serrão (1919-2008) é dos poucos historiadores de quem lamento não ter sido aluno. Por reunir três qualidades que excepcionalmente se juntam num historiador: o fôlego enciclopédico e a capacidade de, nos tempos difíceis para a vida intelectual da ditadura, organizar o trabalho de historiadores de diferentes sensibilidades e perspectivas, qualidades sem as quais não teríamos o Dicionário da História de Portugal; a paixão pela poesia que se manifestou em estudos sobre Cesário Verde ou Fernando Pessoa; o espírito pioneiro que o levou a abrir caminhos da História Contemporânea.
Sacuntala de Miranda (1934-2008) foi minha professora de História Económica e Social e lamento o imerecido silêncio sobre a sua morte. Um dos raros textos in memoriam desta historiadora foi publicado na blogosfera aqui.
PS Já depois de postar li este texto do Fernando Martins que evoca os antigos professores Joel Serrão, Sacuntala de Miranda, Cordeiro Pereira, Luís Krus e A.H. de Oliveira Marques.
PS1 A imagem da lombada do Dicionário da História de Portugal é pobrezinha, mas, infelizmente, não se encontram imagens dos historiadores falecidos na blogosfera.

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Elegia

Oh, destino, o de Borges,
ter navegado pelos diversos mares do mundo
ou pelo único e solitário mar de nomes diversos,
ter sido uma parte de Edimburgo, de Zurique, das suas Córdovas,
da Colômbia e do Texas,
ter regressado, após mutáveis gerações,
às antigas terras da sua estirpe,
à Andaluzia, a Portugal e àqueles condados
onde o saxão lutou com o dinarmarquês e misturaram os sangues,
ter envelhecido em tantos espelhos,
ter procurado em vão o olhar de mármore das estátuas,
ter visto as coisas que os homens vêem,
a morte, o inerte amanhecer, a planície
e as delicadas estrelas,
e não ter visto nada ou quase nada
senão o rosto de uma rapariga de Buenos Aires,
um rosto que não quer que eu o recorde.
Ah, destino de Borges, talvez não mais estranho do que o teu.

BORGES, Jorge Luís, Obras Completas, Vol. II, Lisboa, Editorial Teorema, 1998, p. 311

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terça-feira, março 04, 2008

A experiência não agrada?

Ao aproximar-se o final das primárias nos EUA, Hillary Clinton precisa de um milagre político para ser a candidata dos Democratas às presidenciais de Novembro. O problema é que a história mostra que o milagre que Hillary Clinton tanto necessita nos Texas e em Ohio e que a sua campanha continua a prometer é improvável, decorrente de uma razão em grande medida paradoxal - a sua experiência.
À primeira vista, uma candidata que anuncia a sua experiência e tem conhecimentos detalhados sobre os principais dossiers e problemas de política pública e de questões internacionais não devia ter grande dificuldade em abafar politicamente Barack Obama. Não devia, mas está a ter. Porquê? Porque parece que a experiência dos candidatos tende a não ser o critério decisivo para os eleitores americanos. Veja-se as eleições de Bush, Clinton, Reagan, Roosevelt e Theodore Roosevelt: todos eles eleitos e inexperientes.

segunda-feira, março 03, 2008

Almanque do Povo

Novidade: Ma-Blog é o novo portal filo-moçambicano, ideia de JPT com o apoio da plataforma TubarãoEsquilo.

75, 30: A memória do nascimento e morte de Ruy Belo foram razão para a criação de um blogue que pretende inventariar o que se tem feito, conversado e escrito a esse propósito. O seu autor é Jorge Revez, [que modestamente se auto-qualifica] "historiador nas horas vagas". Remetam-lhe anúncios, notas e apreciações do que se programa e vai passando pelo país a propósito de Ruy Belo e sua obra poética, para que possamos ter uma noção mais completa e atempada dos acontecimentos.

O Êxodo: A blogosfera está prestes a sobrepujar o sapal de Castro Marim, tal a expansão da reserva do apontador português. Azar o do Blogger, ao qual variadas desatenções têm custado o adeus de entusiastas de longa data. Actualizai os links (entre os mais recentes vide f, world, A Origem das Espécies, E Deus Criou a Mulher, Corta-Fitas, Bomba Inteligente, A Esquina do Rio...).

Divulgação: já saiu a Minguante nº 9, não sei se repararam; gosto quando a escrita é escapista, mas também gosto muito quando ela o não é. Qual o tema das micro-narrativas deste mês? O desemprego.

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